O Centro de Reprodução Humana de Campinas iniciou em junho deste ano um programa de fertilização in vitro com baixo custo, destinado às classes B e C da população. A clínica selecionou 100 casais da região metropolitana de Campinas para participar do projeto. O objetivo é mostrar que é possível reduzir em 60% os custos do tratamento com a diminuição na dosagem de medicamentos utilizados na indução da ovulação.
Os resultados preliminares do programa confirmam essa suspeita, segundo informou o urologista Paulo Augusto Neves, coordenador do projeto. Caso fique comprovada que esta nova forma de tratamento é tão eficiente quanto a atual, será possível, em breve, ampliar o acesso à medicina reprodutiva no País. Enquanto o tratamento realizado (fertilização in vitro associada à injeção intracitoplasmática de espermatozóides) custa entre R$ 15 mil e R$ 20 mil, os casais participantes do programa pagaram R$ 5,5 mil pelo procedimento.
“Se conseguirmos provar que podemos reduzir as doses dos medicamentos, como acreditamos, daremos um grande passo para que a medicina reprodutiva não seja mais uma área restrita a uma pequena parte da população”, afirma o urologista. Neves coordena o projeto ao lado dos ginecologistas Carlos Alberto Petta e Daniel Faúndes.
Neves destaca que o programa pode ajudar o governo a patrocinar esse tipo de tratamento para as classes com menor poder aquisitivo. Atualmente, o sistema gratuito de saúde não consegue atender à demanda pelos procedimentos, que têm custos muito altos devido aos medicamentos e à tecnologia utilizada. O projeto do CRHC deve ser concluído em dezembro.
A inseminação artificial tem um custo bem menor do que a fertilização in vitro. O valor médio gira em torno de R$ 2 mil. Somado aos gastos com medicamentos, o custo sobe para cerca de R$ 5 mil.
No Estado de São Paulo, apenas cinco hospitais públicos oferecem reprodução assistida. Desses, quatro estão na Capital e um em Ribeirão Preto. O Hospital Pérola Byington é o único que oferece tratamento e medicamentos grátis. Os demais fazem o tratamento, mas o casal precisa arcar com as despesas com os medicamentos. O custo geralmente fica entre R$ 3 mil e R$ 5 mil só com os remédios.
Para poder se inscrever, o casal interessado precisa marcar consulta em um dos hospitais que fazem o serviço. Uma equipe médica fará uma avaliação do caso e se o tratamento for aprovado, o casal entra na fila de espera.
O tempo até ser atendido varia de acordo com o hospital escolhido. No Pérola Byington a espera é maior, em torno de oito meses, por causa dos medicamentos grátis. Nos demais, a fila é menor, segundo informa a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde.