Geral

Dedicação à vida profissional leva a mulher a retardar a primeira gravidez

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Os dados do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde sobre o número cada vez maior de mulheres que adiam a gravidez para depois dos 35 anos pode ser facilmente comprovado nas clínicas especializadas de Bauru. Com 28 anos de profissão, o ginecologista Alberto Segalla Júnior afirma: “Realmente houve um aumento.”

De acordo com ele, isso ocorre principalmente por causa da valorização da vida profissional. “Primeiro elas estão procurando se preparar para o mercado de trabalho. Fazem faculdade, pós-graduação e só estarão com a vida estabilizada por volta dos 30 anos”, indica. “Só depois disso elas vão se preocupar com relacionamentos mais firmes e com filhos”, diz ele.

Para o urologista Agnaldo Nardi, a sociedade moderna alterou a vida das pessoas. “Hoje em dia, o casal se preocupa primeiro em ter uma casa, estabilidade financeira, para depois pensar em filho. Tem também o fato da mulher trabalhar fora”, comenta. Além disso, lembra ele, as pessoas estão se casando mais tarde. Esse adiamento, segundo Nardi, pode dificultar a gravidez.

Ele lembra que a mulher nasce com um número determinado de óvulos. Quando ela começa a menstruar, todo mês vai eliminando esses óvulos. Aos 30 anos, a fertilidade feminina entra em declínio. Aos 35, esse declínio se acentua e aos 45 anos a fertilidade praticamente zera, segundo Nardi, que possui uma clínica de reprodução assistida.

Segundo ele, 70% das mulheres que procuram inseminação artificial na clínica têm mais de 35 anos. Aos 40 anos, a chance de obter sucesso na fertilização in vitro, considerado um dos métodos mais avançados, é de 15%.

Estima-se que de 15% a 20% dos casais em idade reprodutiva enfrentem problemas de infertilidade e necessitam do auxílio da medicina reprodutiva para conseguir ter filhos. De acordo com o urologista, em 40% dos casos a razão da infertilidade está nos homens. A mulher representa outros 40% dos casos. Nos 20% restantes, o problema geralmente está em ambos.

Embora haja uma redução na possibilidade de gestação após os 35 anos, o ginecologista garante que, uma vez realizada a fecundação, a gravidez segue normal como qualquer outra. Segundo ele, o risco de má formação do feto é o mesmo das outras mulheres. Além disso, também não existe um risco maior do bebê nascer prematuro.

A não ser que a mãe esteja esperando gêmeos, Segalla lembra que a incidência de aborto é maior em mulheres acima de 48 anos. De acordo com o ginecologista, a idade ideal para engravidar é 25 anos. Segundo ele, é quando a saúde da mulher está no auge.

Comentários

Comentários