Polícia

Agentes suspeitam de resgate e atiram em avião durante vôo sobre o CDP

Por Ricardo Santana | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Um avião monomotor que sobrevoou o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru ontem pela manhã tirou o sossego dos agentes de muralha, que fazem a segurança do presídio onde estão recolhidos cerca de 950 presos. Suspeitando que quem estivesse na aeronave poderia tentar resgatar preso ou atacar o presídio, os agentes dispararam cinco tiros, sem que nenhum atingisse o avião. Segundo relatou a policiais militares, o piloto Guilber Alves Pereira, 34 anos, fez a manobra sobre o presídio porque havia outras duas aeronaves na sua rota e precisaria dar preferência a uma delas.

As versões apresentadas pelos agentes de segurança do CDP e pelo piloto da aeronave vão abrir dois tipos de investigações sobre o ocorrido ontem no espaço aéreo da cidade. O Boletim de Ocorrência (BO) registrado no Plantão Policial aponta para duas investigações: a natureza dos disparos de arma de fogo e o possível abuso na prática de aviação. Segundo o delegado plantonista ontem, Eduardo Samuel Sganzela, o caso deve ser apurado pela equipe do 1º Distrito Policial, responsável pela área do CDP.

O delegado pediu exame residuográfico dos agentes e a Polícia Técnica esteve no Aeroclube de Bauru para fazer perícia no avião modelo Piper PA-18, prefixo PPG JÁ, pilotado por Pereira. Era por volta das 9h30 quando os agentes, conforme informaram às polícias Militar e Civil, avistaram um avião nas cores branca e vermelha sobre a área de segurança do presídio. Logo depois, o avião voltou a passar pelo CDP mais duas vezes. Na terceira, os agentes atiraram. “Ele passou a uns 50 metros colado às torres”, afirmou um agente que preferiu não se identificar.

O tenente Renato Ramos, comandante da Base da Força Tática, foi acionado por funcionários do CDP logo após os disparos feitos pelos agentes de muralha. “Eles nos informaram que o avião tinha sobrevoado o CDP numa altura mais baixa que o comum três vezes e, na terceira, os agentes efetuaram disparos de advertência, porque suspeitaram de um possível resgate ou ataque”, conta.

Imediatamente, o tenente enviou uma equipe para o CDP e outra para o aeroporto para localizar o piloto e o avião descrito pelos agentes. Quando o sargento Ricardo Luís Propheta chegou ao aeroporto, o avião já estava em solo e o piloto explicou que havia sobrevoado o presídio por causa do tráfego aéreo do momento. Pereira disse que na mesma rota, à sua frente, estava um avião de instrução de vôo e atrás vinha um avião comercial da Pantanal. Então, para dar prioridade à aeronave comercial, reduziu a altitude.

Ele foi encaminhado ao Plantão Policial, onde o delegado plantonista, após ouvir piloto e funcionários do CDP, registrou o BO. Segundo Sganzela, os agentes penitenciários disseram que só efetuaram os disparos como forma de alerta ao piloto porque ele estaria voando muito abaixo da distância permitida.

O JC apurou com um agente que a altitude mínima, aceita nas normas de segurança do presídio, seria de 200 metros e que a aeronave teria desrespeitado este limite, invadindo a zona aérea de segurança sobre o CDP - uma versão dá conta que os agentes teriam conseguido ver o piloto dentro da cabine do Piper PA-18.

O presidente do Aeroclube de Bauru, Fábio Freire Lara, disse, ontem ao JC, desconhecer que ocorreu o incidente com a aeronave.

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Piloto nega baixa altitude

O piloto Guilber Alves Pereira explicou ao JC que voava sobre o Distrito Industrial 3 e que, por volta das 9h15, num procedimento padrão, mudou a trajetória do Piper PA-18 que estaria na rota de outras duas aeronaves. Pereira garantiu que não ultrapassou a altitude limite de vôo do espaço aéreo urbano de Bauru, que seria de 300 metros (cerca de 1000 pés). Também disse não ter ouvido disparos de arma de fogo feito pelos agentes penitenciários do CDP. Pereira também não informou se o vôo era de instrução. No entanto, o JC apurou que se tratava de um vôo panorâmico.

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