Porto Alegre - Yeda Crusius (PSDB), 62 anos, e Olívio Dutra (PT), 65 anos, chegam hoje ao dia da eleição para o governo do Rio Grande do Sul após protagonizarem um dos embates políticos mais acirrados do País nesta campanha.
O segundo turno gaúcho reproduziu o duelo eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, entre PT e PSDB. Ao contrário da campanha nacional, o petista Olívio Dutra começou o embate do segundo turno com as pesquisas lhe dando desvantagem de 30 pontos.
Na véspera da votação, institutos mostravam uma diferença de seis ou sete pontos a favor da tucana Yeda Crusius. As últimas pesquisas para o governo gaúcho mostram um cenário indefinido. Na última quinta-feira, o instituto Methodus mostrava Yeda 6,1 pontos à frente de Olívio. Anteontem o Centro de Pesquisas Correio do Povo apontava diferença de 7,7 pontos a favor de Yeda. Nos dois casos, mais que os números, o que torna a disputa acirrada é a evolução dos candidatos e a tendência de crescimento de Olívio.
Na primeira pesquisa do segundo turno realizada pelo CPCP, nos dias 10 e 11, Yeda tinha 30,7 pontos a mais que Olívio, 61,7%, a 31%. Na ocasião, muitos petistas e tucanos davam a eleição como definida. No primeiro turno, Yeda teve 32,9% dos votos válidos, contra 27,39% de Olívio. Do início da disputa de segundo turno até as vésperas das votações, os candidatos se dedicaram a enfatizar temas como privatizações e crise financeira do Estado. O assunto mais polêmico foi o das privatizações. Olívio procurou colocar em Yeda a pecha de “privatista”. Yeda passou dias se defendendo.
Nas coordenações das campanhas, há a convicção de que o assunto é capaz de reverter votos. Lula e FHC Para atacar Olívio, Yeda procurou lembrar as negociações dele como governador (1999 a 2002) com a Ford e a resultante opção da multinacional por construir sua fábrica em Camaçari (BA).
Como réplica, Olívio lembrou os incentivos fiscais dados à Ford, na época, pelo governo FHC - que possibilitaram a transferência do projeto para a Bahia. Yeda - como deputada federal - votou a favor de tais incentivos. Além de procurar mostrar que as duas candidaturas representam visões opostas de administração, Olívio tentou colar sua imagem à de Lula.
A avaliação dos coordenadores tucanos para a sangria de votos passa pela forma como todos esses temas foram explorados e também pela demora de Yeda começar a fazer corpo-a-corpo no início do segundo turno. Enquanto isso, o PT colocava militantes para fazer campanha no Interior do Estado e em vilas populares.