Adriana Fricelli
Há 40 anos morando no Rio de Janeiro, o cantor e compositor Tito Madi se orgulha em dizer que mantém o coração interiorano. Seus pais vieram do Líbano e se casaram em Bauru, moraram também em Lins e, por fim, em Pirajuí, onde o músico nasceu. Agora Tito refaz o percurso com apresentações nas três cidades, acompanhado do maestro e pianista Haroldo Goldfarb. Em Bauru, o show será hoje, às 13h, no Alameda Quality Center.
“Para mim é uma emoção muito grande. Eu sinto um carinho enorme pelas cidades do Interior, principalmente essas”, disse o músico durante uma entrevista concedida à imprensa na quinta-feira à tarde no complexo.
Prova dessa admiração é a música “Bauru”, lançada há cerca de dois anos e que integrará o repertório do show juntamente com clássicos de Tom Jobim, Dolores Duran e as autorais “Chove Lá Fora”, “Cansei de Ilusões”, “Não Diga Não”, “Sonho e Saudade” e “Balanço Zona Sul”.
Com 54 anos de carreira e mais de 60 discos, Tito dividiu palco e autoria de canções com nomes como Maísa, Vicente Celestino e Orlando Silva. Reconhecido por seus sambas-canções de arranjos modernos, o músico foi considerado por muitos artistas um dos precursores da bossa nova, afinal foi dedilhando suas músicas que Carlos Lira começou a tocar violão.
O músico também foi referência para Roberto Menescal e para tantos outros bossa-novistas. “O próprio Menescal me convidou para participar das reuniões na casa de Nara Leão, onde a bossa nova nasceu. Mas, como já tinha um certo prestígio, não quis. Esta é uma das coisas das quais me arrependo”, disse.
Seu prestígio era tanto na época que, no final da década de 50, ele foi convidado para abrir os shows do The Platters nos Estados Unidos, mas também não aceitou. “Não me sentia maduro o suficiente. Fiquei temeroso e achei melhor não ir”, lembrou.
Serviço
Tito Madi se apresenta hoje, às 13h, no restaurante Beef Street do Alameda Quality Center (rua Luiz Levoratto, s/n, na altura do km 335 da rodovia Marechal Rondom). A entrada é gratuita.
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História
O pai e o irmão de Tito Madi tocavam violão, alaúde e bandolim e claro que com ele não seria diferente. Aos 10 anos, o garoto fazia suas primeiras apresentações nas festas da escola onde estudava. Mas a fase de compositor só veio mesmo no final da década de 40, quando começou a organizar shows e outros eventos.
Em 1952, ele se mudou para São Paulo onde trabalhou em rádios e televisão. Depois de dois anos, o músico foi para o Rio de Janeiro, onde, em 1957, teve sua consagração com a composição “Chove Lá Fora”, até hoje entoada por diversas gerações.