,b>Araraquara - Um acervo de 450 peças com registros de pegadas de dinossauros, encontradas em Araraquara, podem migrar da cidade para a vizinha São Carlos, mais especificamente para a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O material está hoje guardado num galpão da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM). A última vez que parte da coleção foi exposta em Araraquara foi em dezembro de 2005, no Museu Histórico.
A transferência está sendo intermediada pelo paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, responsável pelo acervo e pela coleta das peças nas ruas de Araraquara e na pedreira São Bento, um paredão rochoso de 178 mil metros quadrados.
Para ele, que é professor da UFSCar, a falta de exposição e de um espaço apropriado para armazenar as pedras em Araraquara contrariam um acordo firmado em 2003 com a prefeitura. “Araraquara tem um projeto de um Museu de Paleontologia que não sai do papel. Este impasse (com a prefeitura) não se resolve. A coleção, por enquanto, é um amontoado fora do alcance da população. A UFSCar tem interesse em criar um Museu de História Natural e este acervo seria importante para criar um grupo de pesquisa. Aqui em Araraquara eu já vi o material sendo empilhado sem cuidado”, disse Fernandes.
Parte do acervo - 45 peças-, incluindo um arenito de Araraquara que é a primeira evidência no Brasil de urina de dinossauro, já está na UFSCar.
O material integra a Paleo-Expo, exposição que vai até o dia 30 de novembro. “A idéia é já deixar este material na universidade para facilitar minhas pesquisas.”
“Dino é nosso”
“Desconheço essa discussão. Ele (Fernandes) é o curador, mas o material é de Araraquara e a prefeitura tem um convênio. Temos uma parceria para guardar o material na CPRM. Temos todo o interesse em atender as reivindicações e estamos fazendo o possível para criar o museu”, afirma Márcia Lia, secretária de Governo de Araraquara.
Ela afirma que não existe nenhuma possibilidade de o material sair da cidade. Sobre o espaço cobrado por Fernandes, Lia explica que está sendo finalizado o projeto do Museu de Paleontologia, mas ainda não existe um prazo e recursos para a obra.
No entanto, Fernandes rebate, afirmando que a responsabilidade do material é dele e da CPRM. “O convênio de 2003 nunca foi implantado.
A prefeitura nem sabe quantas peças têm e nunca assinei nada para ser curador deles. Nada mais justo que esse material ficasse em Araraquara, mas é preciso um espaço adequado.”
Segundo o diretor do CPRM de Araraquara, Marco Aurélio da Silva Carvalho, o acervo é armazenado em um lugar apropriado, porém a responsabilidade de manutenção é de Fernandes. “Gostaríamos muito de ter o material num espaço para exposição, mas não temos verba. A falta de recursos também deve ser o mesmo problema da prefeitura”, afirmou.
Segundo a chefe do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da UFSCar, Odeth Rocha, não há nenhuma posição oficial em relação ao material de Araraquara.
A possível transferência do acervo do município vizinho para a instituição estaria ligada à implantação do Museu de História Natural Mário Tolentino - homenagem a um dos fundadores da UFSCar, morto em 2004.
“Ninguém está querendo a propriedade do material de Araraquara. O objetivo da UFSCar é fazer convênios para receber coleções por períodos temporários ou mais longos. A nossa finalidade é pedagógica. Temos interesses não só na coleção de Araraquara, mas do Brasil todo e até do exterior”, ressalta Rocha.
Segundo a professora, a UFSCar já tem um acervo de mil peças fósseis, que estão guardados num espaço de 150 m² do departamento.
“O nosso objetivo é criar um espaço adequado para o contato com a comunidade. Também queremos ser referência na pesquisa dos fósseis do arenito Botucatu, que é encontrado na região.”