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Oposição garante que cobranças vão continuar

Folhapress
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Brasília - Apesar de reconhecer como legítima a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a oposição promete não dar trégua ao petista nos próximos quatro anos. A palavra de ordem da oposição é manter as cobranças sobre as denúncias do dossiegate seguindo o entendimento que a as urnas não inocentam o governo das acusações.

“É do processo democrático, alguém tem que sair vitorioso. Mas continuo afirmando que vale a pena lutar para combater a corrupção”, disse o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE). Para Freire, “a urna não absolve” e o resultado eleitoral “não autoriza a impunidade”.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) concorda que a eleição “não é sentença judicial para crime nenhum”. Dias fez críticas à postura da própria oposição durante o governo Lula. Para ele, os oposicionistas agiram de forma dura, porém desarticulada, contra o Executivo nos últimos anos. O senador disse acreditar que os resultados das eleições ontem farão com que a oposição aprenda e atue de forma mais articulada no segundo mandato de Lula.

Segundo Dias, a oposição deve agora procurar se unir para evitar uma nova derrota em 2010. “A oposição foi contundente, mas sem estratégia de conjunto”, afirmou. Ele disse que PSDB e PFL não vão erguer a “bandeira branca” defendida pelos petistas. “Quando se elege um governo novo, nós damos um prazo para ver como ele se comporta. Mas este é um governo de continuidade, não há porque dar tempo. O julgamento político deve ocorrer”, ressaltou.

O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), disse que a oposição vai continuar sendo fiscalizadora do governo. Porém admitiu que não faz parte dos planos do PFL “remoer” o passado. “Não vamos tentar desestabilizar o governo sem fatos concretos”, encerrou. O senador Sérgio Guerra (PSDB-PR), coordenador da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), avalia que o PSDB fará uma oposição firme e dura no próximo governo Lula. “O que for equivocado vamos denunciar, mas o que estiver certo iremos apoiar. Não vamos fazer uma oposição ao Brasil”, disse.

FHC e Jereissati

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o PSDB deverá fazer uma “oposição dura, mas responsável’’ no segundo mandato de Lula: “Não pensem que vou baixar a cabeça. Numa democracia, quem não ganha faz oposição. A governabilidade não depende de quem perde”, afirmou, depois de votar, ontem pela manhã, no Colégio Nossa Senhora do Sion, em Higienópolis, na região central de São Paulo. “O voto será respeitado, mas o presidente vai ter que dançar com o pé na música da lei, da Constituição. Não pode jogar a sujeira para debaixo do tapete”, disse.

O presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou ontem que o partido não irá "fechar os olhos" no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Se conciliar significa fechar os olhos para gravíssimos desfeitos que esse governo apresentou durante quatro anos, evidentemente isso não será possível", disse, em resposta a petistas que defendem agora uma conciliação política nacional para o País.

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