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‘Acabou a era Palocci’, diz Genro

Folhapress
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São Paulo - Antecipando a abertura oficial da temporada de disputa de forças dentro do governo pela definição da nova política econômica no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) afirmou, ontem, que “acabou a era Palocci no Brasil”.

Ele se referia ao ex-ministro da Fazenda, que comandou a economia durante três anos, e provocou a ira de parte do PT ao implementar uma política de contenção de gastos e juros altos similar ao receituário dos tucanos que comandaram o País nos oito anos anteriores.

A votação mal tinha começado quando Genro fez as declarações em Porto Alegre, enfatizando que os próximos anos serão marcados pelo fim de uma política econômica “monetarista e conservadora” e o começo de um “governo desenvolvimentista”. “Até posso dizer que, no primeiro ano do governo, ele (Palocci) prestou bons serviços. Mas taxas baixas de crescimento, preocupação neurótica com a inflação sem pensar em distribuição de renda e desenvolvimento, isso terminou”, afirmou.

A afirmação tornou pública uma guerra que já vinha sendo gestada nos bastidores do governo e, esperava-se, viria à tona nos próximos dias, após a confirmação da reeleição de Lula. O contra-ataque de Antônio Palocci veio logo após a declaração de Genro. “Nunca existiu uma ‘era Palocci’. Não acredito que um ministro como o Tarso Genro possa fazer qualquer reparo à política econômica do presidente Lula, que tem sido vitoriosa”, disse o ex-ministro, ao votar, em Ribeirão Preto.

Já a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), maior defensora de mais flexibilidade na economia, disse que “a política (econômica) tinha um sentido bastante claro e foi importante”. E acrescentou: “O primeiro momento acabou. Tivemos um período e passamos por ele.” O ministro Luiz Marinho (Trabalho) foi ainda mais enfático: “O Palocci já foi. Precisamos concluir a transição para retomar o crescimento. Palocci foi um craque, mas precisamos entrar numa nova fase, que é a do crescimento”.

Guido Mantega tenta ficar à frente da Fazenda com o apoio de Genro e Dilma e anteontem disse que o governo vai entrar “em uma nova fase”. “Vai ficar mais claro o caráter desenvolvimentista, com crescimento maior da economia. O desenvolvimentismo virá à tona, com crescimento acima de 5%, geração de mais empregos. Isso ficará mais marcado”.

Ontem, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, também citado como um nome para ocupar o Ministério da Fazenda no segundo mandato, fez coro ao grupo. “Para o Brasil crescer com maior rapidez, que é o que a população espera, vamos precisar agir com os instrumentos monetários e fiscais de forma diferente”, afirmou.

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