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Lula é reeleito com 58 milhões de votos

Por Felipe Neves | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 61anos, foi reeleito ontem, com 60,80% dos votos válidos, escolhido por mais de 58 milhões de eleitores. Isso é o que mostrava o resultado da apuração parcial por volta das 22h, quando 99,68% das urnas já haviam sido apuradas.

Lula venceu no segundo turno o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), 53 anos, que recebeu mais de 37 milhões de votos (39,20%). A vitória do petista confirma as pesquisas de intenção de voto. Durante toda a eleição, desde o primeiro turno, Lula aparecia em primeiro lugar.

Pesquisa Datafolha, divulgada anteontem, apontava a vitória de Lula com 61% dos votos válidos. Ex-torneiro mecânico e primeiro líder de um partido de esquerda eleito presidente, Lula consegue igualar a façanha de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em 1998, o tucano chegou ao segundo mandato consecutivo - foi o primeiro presidente a se beneficiar da reeleição no Brasil. Houve uma diferença, porém. Ao contrário de Lula, FHC conseguiu a reeleição já primeiro turno, com 53,06% dos votos válidos - escolhido por quase 36 milhões de eleitores.

Nestas eleições, além dos adversários, Lula teve que enfrentar uma verdadeira avalanche de crises políticas e de escândalos envolvendo o Congresso Nacional, membros de seu governo e dirigentes de seu partido, o PT. A mais recente crise estourou durante a campanha eleitoral e causou revolta na oposição: a tentativa de compra de um dossiê antitucano.

O episódio continua sendo investigado pela Polícia Federal e pela Justiça. Existe no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive, um processo de impugnação da candidatura do petista, que pode acontecer mesmo após a votação, caso as investigações comprovem crime eleitoral. A aprovação e a popularidade de Lula, entretanto, não estavam ligadas ao sistema político, como mostrou a eleição. A atuação do governo petista na área social foi fundamental para a reeleição. Assim, o discurso da continuidade de um “governo para os mais necessitados” foi a grande bandeira da campanha. Programas como o Bolsa Família, o Prouni e o Luz para Todos foram exaustivamente aclamados no palanque petista.

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em setembro mostrou que a pobreza no país diminuiu 19% na gestão Lula. Com base em dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o levantamento mostra que a pobreza, que atingia 28,2% dos brasileiros em 2003, passou a englobar 22,77% em 2005 - ou 42,570 milhões de pessoas. Esse é o menor patamar desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1992.

Lula detém o recorde de avaliação positiva de um presidente da República. Segundo pesquisa Datafolha, divulgada no dia 25/10, 53% da população classifica como boa ou ótima a gestão de Lula. Outros 31% consideram o governo petista regular. A taxa dos que acham a atuação do presidente ruim ou péssima é de 15%.

Segundo turno

Segundo o Datafolha, o início do segundo turno indicava uma disputa apertada - no dia 6/10, o petista tinha 50%, contra 43% do tucano. No entanto, nas pesquisas seguintes, Lula só aumentou sua vantagem. Em 10/10, Lula registrava 51%, enquanto Alckmin aparecia com 40%. Uma semana depois, a diferença subiu para 19 pontos percentuais: 57% a 38%. Em 24/10, a vantagem do petista subiu para 21 pontos: 58% a 37%.

Durante o primeiro turno, Lula vinha em ascendência, dando a entender que venceria sem necessidade de disputar o segundo turno, mas caiu nas últimas duas semanas da campanha. Especialistas apontaram o escândalo do dossiê e a ausência nos debates como as principais causas para a prolongação do pleito. No final de junho (29/06), Lula tinha 46% das intenções de voto. Dois meses depois (29/08), seu índice chegou a 50%.

Na véspera do pleito, em 30/09, Lula voltou ao patamar dos 46%. Abertas as urnas do primeiro turno, Lula obteve 48,61% dos votos válidos (que excluem brancos e nulos), contra 41,64% de Alckmin. Para eliminar a necessidade de disputar o segundo turno, Lula precisaria obter mais de 50%.

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