Quase dois anos depois de o prefeito Tuga Angerami (sem partido) tomar posse, a situação da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) permanece inalterada em muitos aspectos, principalmente na falta de capacidade de investir em novos programas habitacionais. Em resumo, a empresa ficou e continua sem função, e foi muito criticada pelos vereadores durante a sessão de ontem.
Ao assumir a prefeitura, Tuga Angerami herdou uma Cohab que havia sido enxugada na gestão do ex-prefeito Nilson Costa, quando passou por um processo de redução de pessoal e reestruturação financeira. No entanto, na atual gestão foi promovido concurso público para contratação de mais funcionários e a empresa não conseguiu retomar os investimentos.
Para os parlamentares, apesar do presidente da Cohab, Edison Bastos Gasparini Júnior, ter conseguido equilibrar as contas e não deixar que interesses políticos atrapalhem a gestão da empresa, alguns vereadores defendem que a Cohab passe por um processo de reestruturação. “A Cohab está sendo bem administrada, não serve de cabide, nem está sendo usada politicamente, mas dizer que está com a situação resolvida, passa longe”, disse João Parreira (PSDB).
Para ele, a empresa não tem condições de voltar a investir em programas de habitação, porque o custo operacional é muito alto, impedindo qualquer pretensão que a Cohab tenha. “A Cohab tem créditos, mas também tem débitos. O custo operacional para funcionar e receber seus créditos é muito alto”, frisou Parreira.
O vereador Paulo Madureira (PP) vai além e afirma que tanto a Cohab, como o Departamento de Água e Esgoto (DAE) e a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) deveriam ser fundidos em uma única empresa de desenvolvimento.
De acordo com o vereador, a Cohab perdeu sua função, assim como a Emdurb. “Não tem sentido manter três empresas na cidade, que poderiam se juntar em uma. Sou a favor de juntar DAE, Cohab e Emdurb em uma empresa de desenvolvimento”, disse.
Por outro lado, há vereadores que acreditam na retomada dos investimentos da Cohab. José Carlos Batata (PT), por exemplo, disse que tem acompanhado de perto a situação financeira da empresa. “Acredito que se conseguir recuperar a capacidade de investimento, pode voltar a construir. Hão há necessidade de fechar as portas”, disse.
Paulo Eduardo (PFL) também defendeu a empresa. “Ser fosse partir desse princípio de que tem de fechar tudo, na posse do prefeito, deveria ter fechado as portas de Bauru”, salientou.