Mesmo reconhecendo ser inviável ficar sem ele, donos de postos de combustíveis de Bauru reclamam que o crescimento da utilização do cartão de crédito chega a reduzir quase pela metade a margem bruta de lucro em função dos gastos que envolvem essa operação. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), se os postos não aceitassem o “dinheiro de plástico” seria possível reduzir os preços dos combustíveis.
Wagner Siqueira e Edivaldo Tuschi, presidente e diretor do Sincopetro, respectivamente, procuraram o Jornal da Cidade para apresentar números sobre o peso dos cartões de crédito na formação dos preços dos combustíveis comercializados ao consumidor final. Se por um lado os pagamentos eletrônicos significam certeza de recebimento para os empresários, de outro também são definitivos no aumento dos custos mensais dos postos.
“Por cada transação feita com cartão de crédito, as operadoras cobram entre 2,5% e 3,5% do valor da venda. Também temos que pagar pelo aluguel das máquinas de cartão, que gira em torno de R$ 90,00 (por máquina). Além disso, no cartão de crédito a venda tem que ser feita pelo preço à vista do produto, só que o dono do posto só recebe esse pagamento 31 dias após a venda”, observa Tuschi, proprietário de postos na cidade.
Por todos os custos que acompanham a utilização do cartão de crédito nos postos, os representantes do Sincopetro dizem que, sem ele, os consumidores poderiam encontrar combustíveis mais baratos. Entretanto, segundo Tuschi não é possível estimar de quanto poderia ser essa queda. “Os custos de cada posto são muito diferentes, por isso, é perigoso fazer essa estimativa”, afirma.
Impostos
Segundo matéria publicada neste mês numa revista especializada em combustíveis, atualmente o preço da gasolina sem a incidência de impostos é de R$ 1,10. Somente os impostos seriam responsáveis por mais R$ 1,14. Levando em conta a margem bruta ideal perseguida pelos postos de R$ 0,30 e mais R$ 0,15 de despesas com cartão de crédito por litro vendido, o preço da gasolina seria de R$ 2,69. Até ontem, a maioria dos postos vendia o litro por R$ 2,54.
Segundo os empresários, cerca de 30% das vendas efetuadas nos postos de Bauru são pagas com cartão de crédito. “Se a maioria das vendas fossem feitas com cartão, não dava para sobreviver. Tem gente (dono de posto) que gasta R$ 50 mil por mês com o uso de cartão de crédito”, diz Siqueira.
Segundo Tuschi, somente no Brasil as taxas administrativas cobradas pelas operadoras de cartão de crédito são tão altas. Segundo publicação especializada, no Uruguai, por exemplo, além da taxa cobrada pelo uso do cartão ser de 1%, o prazo para receber o pagamento é de 48 horas. “Aqui no Brasil, esse dinheiro só entra no nosso caixa 31 dias após a venda”, reclama o diretor do Sincopetro.
Os empresários citam, ainda, que com a “oferta indiscriminada” de cartão de crédito à população, as taxas de inadimplência subiram demais. Com mais gente usando, as operadoras já não se importam mais, segundo os empresários, quando algum cliente ameaça devolver as máquinas de “passar cartão”.
“Se houvesse um pouquinho mais de zelo das pessoas na hora de usar o cartão de crédito, as taxas cobradas pelas operadoras seriam muito menores. Com isso, o preço do combustível e de outros produtos poderia ser menor”, aponta Tuschi.
Questionados sobre a possibilidade de investir mais em outras formas de pagamento para driblar os custos do dinheiro de plástico, os empresários dizem que isso implicaria em muitas outras equações do complicado mundo da concorrência e das guerras de preços dos combustíveis.