Auto Mercado

Paraíso antigomobilista

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 2 min

Preservar a história é algo que o povo japonês dá muita importância e faz questão de zelar. Nem que para isso, no caso de uma montadora de automóveis, tenham de ser exaltados e exibidos modelos da concorrência. Pois é justamente isso o que a Toyota faz ao manter, na cidade que leva o mesmo nome da fábrica, um museu exclusivamente dedicado a conservar verdadeiras relíquias do antigomobilismo mundial.

O museu foi visitado pelo professor bauruense Daniel Gimenes, que mora no Japão há cerca de dois anos e em edições anteriores do AutoMercado & Cia já relatou em reportagens as curiosidades do sistema de trânsito e do mercado japoneses. Desta vez, ele conta os detalhes do que teve o privilégio de ver “in loco” dentro do local que o encantou.

“Ele se destaca pelas linhas modernas e futuristas, em contraste com os carros antigos expostos ali, mas também apresenta algumas inovações da indústria de tecnologia e automobilismo mundial. Além de carros expostos, o museu apresenta aparelhos eletroeletrônicos, como televisores, rádios, vitrolas, ferro de passar roupas, máquinas de lavar, sapatos, geladeiras, fogões, revistas antigas, roupas, brinquedos, bicicletas, motos, objetos de colecionador e uma infinidade de artigos antigos que contam a história do Japão e do mundo através das invenções do homem”, ressalta Gimenes.

Ele frisa que externamente o museu se destaca, principalmente, por sua impo-nência e localização. “Ele fica ao lado de uma rodovia japonesa e ao longe já é possível observá-lo, pois parece duas naves espaciais pousadas ao lado da estrada”, diz. Já no interior, a organização e a variedade de modelos expostos são os fatores que mais chamam a atenção. “Ele é dividido em dois grandes espaços de dois andares cada um, com pavilhões gerais e alguns ambientados com decoração de época e música referente ao país de origem do automóvel. Veículos de várias marcas, inclusive dos próprios concorrentes japoneses, estão presentes no local, mostrando que, apesar de ser da Toyota, o museu é apartidário”, salienta o professor.

O perfil democrático do museu, segundo Gimenes, é algo que combina com as raízes culturais nipônicas. “Realmente, trata-se de um museu da Toyota em memória do automóvel, não importando a marca ou procedência, e sim contar a trajetória dos veículos através dos tempos. Quando se referem a história, os japoneses são extremamente imparciais”, sustenta o bauruense.

Por fim, Gimenes dá detalhes da cidade de Toyota, sede do museu. “Ela nasceu em torno da fábrica, na região de Nagoya, e hoje é uma cidade do porte de Bauru, com cerca de 400 mil habitantes em volta da montadora. Ela tem até um grande estádio de futebol, com teto que se abre e fecha dependendo das condições do tempo, sedia jogos do Nagoya Grampus Eight e também do mundial de clubes. O estádio também é de propriedade da Toyota, como tudo nesta cidade”, finaliza.

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