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Exercício de simples futurologia


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Os eleitores brasileiros mais uma vez demonstraram sua civilidade e respeito às nossas instituições democráticas participando do segundo turno para a eleição do novo presidente da República para os próximos quatro anos e de alguns governadores nos Estados onde não houve vitória em primeiro turno. Até esse ponto nenhuma novidade, mas a partir de janeiro de 2007 até dezembro de 2010, o que será do nosso país, o que será que acontecerá no Congresso Nacional pelos próximos quatro anos?

A minha previsão é de que o novo Congresso Nacional eleito pelo povo continuará o calvário do povo que o elegeu. Nada de avanços, nada de modernidade, nada de combate eficaz à corrupção e as distorções que transformaram aquela casa do povo num símbolo de ineficácia e no altar maior da impunidade nacional.

Além de pecar pela falta absoluta de qualidade na média dos eleitos, a casa do povo tem outro grande problema. Fica a dúvida se os parlamentares de oposição vão fazer uma oposição construtiva como se espera daquela casa e ao mesmo tempo trabalhar exaustivamente pelos cidadãos ou se vão enrolar a sociedade civil por mais quatro anos.

Claro que esperamos que o Poder Executivo seja fiscalizado em seus mínimos detalhes, mas não se pode aceitar que o Congresso Nacional seja franqueado a algumas lideranças que nunca pecaram pelo excesso no trato com o erário e que agora se transvertem de paladinos da justiça nacional para ficar em evidência visando às próximas eleições. É a turma do holofote aceso, turminha do quanto pior melhor. É preciso rigor nas investigações, tanto quanto são necessários que haja rapidez na volta as suas obrigações congressuais que não são poucas. Existem centenas de leis para serem votadas, projetos engavetados por muitos anos e uma infinidade de trabalhos a serem realizados por nossos ociosos parlamentares.

Os novos governadores eleitos não fogem à regra estabelecida para com os deputados e senadores eleitos. Muitos foram reeleitos, alguns assumem pela primeira vez e outros retornam ao poder em 2007. No caso particular de São Paulo e Minas Gerais, a única preocupação de Serra e Aécio, respectivamente, será para com a eleição à Presidência em 2010.

No caso da reeleição de Lula, tal qual ocorreu em seu primeiro mandato, governar será quase impossível sem ter a maioria no Congresso. Será necessário se livrar dos atuais colaboradores e montar uma equipe de nomes acima de quaisquer suspeitas para poder imprimir um ritmo forte na busca por mudanças significativas que são aguardadas há muito tempo ou terminará seu segundo mandato tal qual terminou FHC, impopular e fadado ao esquecimento como homem público. Lula terá que saber fazer novas alianças em Brasília, deixando antigos “companheiros” fora de seu novo governo, aliando-se a ética e a pessoas e partidos que tragam em seu bojo propostas de modernidade administrativa e maior dinamismo.

As eleições presidenciais de 2010 começarão simultaneamente à posse de Lula e isso deverá ser trabalhado com muito cuidado pelo presidente e por seu partido, pois a oposição não o deixará trabalhar em paz, precisando, portanto, conquistar o apoio da grande mídia e da sociedade através da elaboração de projetos consistentes de desenvolvimento sustentado para o nosso país. A educação com qualidade, a diminuição da carga tributária e a geração de novos empregos são tarefas urgentes.

Por fim, quem ganhou e quem perdeu (além do povo, é claro) com o resultado do pleito que se encerrou neste vinte e nove de outubro de 2006?

Além dos candidatos derrotados nas eleições gerais, os maiores perdedores foram Tasso Jeressaiti, que perdeu com seu candidato ao governo no Ceará e na Presidência. Dupla derrota também obteve Antônio Carlos Magalhães na Bahia, César Maia no RJ, Alckmin, embora seja do partido vencedor em São Paulo, perdeu também, pois além de não ser eleito à Presidência, tem que conviver com Serra, que nos bastidores todos sabem não ser seu melhor amigo e companheiro de partido.

Quem venceu finalmente em 2006? Além da democracia que sempre triunfa independente dos resultados, quando ocorre um processo eleitoral transparente saíram vencedores Lula, José Serra e Aécio Neves. Por esses três nomes deverá passar a indicação e a discussão quanto às próximas eleições, em 2010.

O autor, Rafael Moia Filho, é administrador de empresas em Bauru

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