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Incêndio destrói área de cerrado

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Numa tarde que os termômetros marcaram 34,9 graus em Bauru, cerca de 200 mil metros quadrados de vegetação nativa entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Jardim Botânico foram destruídos em um incêndio, ontem. Na área queimada, equivalente a 20 campos de futebol, foram avistados insetos e animais fugindo das chamas. Bombeiros, com ajuda de outras equipes, trabalharam a tarde toda e à noite retornaram ao local porque novos focos de incêndio apareceram.

Até o fechamento desta edição, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Unesp e Jardim Botânico não tinham apurado como o incêndio começou. Mas a suspeita é que alguém tenha ateado fogo propositalmente na vegetação, que inclui restingas de cerrado. “O fato do fogo ter começado no meio da mata e seguido para a margem da rodovia e terem sido vistas pessoas correndo do fogo reforçam essa hipótese”, comenta Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil de Bauru.

A área queimada é cortada por trilhas, por onde é comum a passagem de pessoas da cidade. Há, ainda, a possibilidade de alguém ter deixado cair uma bituca de cigarro acesa no chão, o que teria iniciado o incêndio que destruiu árvores adultas e vegetação rasteira. “O prejuízo é grande porque trata-se de uma área de cerrado, com a agravante de que esta época é de reprodução dos animais. Vi uma siriema com quatro filhotes fugindo do fogo”, diz Brito.

A reportagem encontrou vários besouros, também chamuscados pelas chamas, tentando fugir. “Os bichos que mais têm nesta região são cobra, lagarto, tatu, sagüi. Veado também às vezes é visto”, conta Josimo Pereira Filho, encarregado do setor de vigilância da Unesp, que acompanhou o trabalho dos bombeiros e também suspeita de incêndio criminoso.

Das 15h30 às 19h, três equipes dos bombeiros trabalharam no combate ao fogo, com apoio do helicóptero Águia da Polícia Militar que usou o puçá com água de piscinas da Unesp para apagar fogos de incêndio em lugares de acesso mais difícil, e da brigada de combate a incêndio do Jardim Botânico. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) enviou um caminhão-pipa e a Secretaria das Administrações Regionais (Sear) uma equipe para ajudar na ação. Ao todo, mais de 20 homens trabalharam no local.

Por volta das 21h, novos focos de incêndio apareceram na região do Jardim Botânico, segundo os bombeiros. Uma equipe retornou para o local e, até o fechamento desta edição, seguia no combate às chamas e trabalho de rescaldo. A preocupação de Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico, era exatamente que as chamas se alastrassem dentro do parque.

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Cenário de destruição

A área incendiada ficou totalmente devastada pelo fogo e custou a vida de muitos animais silvestres e árvores nativas, típicas de cerrado. Conforme Luiz Carlos de Almeida Neto, diretor do Jardim Botânico, a faixa de vegetação era habitat de muitos veados, jaguatiricas, tamanduás-mirins, ouriços, gatos-do-mato, macacos, gambás e aves, principalmente sabiás.

Muitas árvores, que segundo Neto levam até 20 anos para atingir a fase adulta, despencaram enquanto os bombeiros combatiam as chamas, que consumiam com rapidez a mata.

“Espécies como cinzeiro, amendoim e sucupira, muito comuns nessa área, foram totalmente destruídas”, acrescentou Neto. O fogo, segundo ele, começou por volta das 13h30.

Lucien Luiz

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