Botucatu - A Câmara Municipal de Botucatu resolveu expor os problemas insistentemente apontados por usuários do transporte coletivo da cidade (100 quilômetros de Bauru). Os sintomas são as reclamações, entretanto, a causa é a falta de fiscalização no serviço prestado.
Segundo o vereador Lelo Pagani (PT), a prioridade é fazer o Departamento de Engenharia e Tráfego (DET) cumprir efetivamente o papel de fiscalizador. “O primeiro passo que nós vemos é a reestruturação do DET para que ele possa ter condições de fazer uma fiscalização da forma como tem que ser feita na empresa (de ônibus)”, explica.
O vereador conta que, atualmente, quem estabelece as linhas de ônibus é a própria Empresa Auto Ônibus de Botucatu (EAOB), que explora o serviço de transporte público. Porém, a lei determina que planejar a logística das linhas é de competência do DET.
Em audiência pública realizada no Legislativo, discutiu-se, na semana passada, a necessidade de implementar mudanças no órgão municipal.
O encontro foi realizado a pedido dos vereadores petistas Lelo Pagani, Luiz Carlos Rúbio, Antônio Carlos Trigo, José Carlos Lourenção e Benedito José Gamito, que julgaram ser necessário discutir o assunto com autoridades, especialistas e população em geral.
“Diariamente, escutamos reclamações dos munícipes com relação aos ônibus circulares e a nossa intenção é abrir um espaço para que a população possa fazer sua crítica e sugestão, colaborando com o poder público na busca de um sistema de transporte coletivo ideal para a nossa cidade”, argumenta Pagani.
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Transição com discórdia
Atualmente, o valor da passagem do circular em Botucatu é R$ 1,70. A partir de novembro, a cidade contará com o sistema de integração do transporte coletivo. A novidade ainda está sendo avaliada pelo Legislativo, prefeitura e a EAOB. Porém, ela já está gerando descontentamento.
Boa parte da audiência foi tomada pela discussção do período válido para a integração, ou seja, qual o tempo que seria permitido ao usuário para trocar de ônibus. “A nossa idéia é iniciar com um tempo de integração de 30 minutos e, com a avaliação de cada caso, conseguiremos estabelecer um tempo ideal para cada linha”, explica Henri Bento, representante da EAOB.
Pagani ressalta que nem todos concordam com o limite proposto de meia hora e apresenta argumentos para a discordância. “Nós temos muitas linhas e com itinerário longos. Então, uma das discussões, por exemplo, é que se colocarmos o tempo que a empresa está sugerindo, de meia hora, nós achamos pouco. Porque o usuário, em meia hora, vai acabar tendo que pagar duas passagens”, acredita Pagani. Também foi sugerida, durante a reunião, a possibilidade de se voltar a conceder descontos aos usuários na compra de determinada quantidade de passes.
De acordo com a diretora do DET, Bernadete Rossi, a expectativa é de que o sistema de integração entre em vigor no próximo mês. “Nós estamos acompanhando todo o processo junto à empresa e os transtornos que estão ocorrendo e que muitas pessoas vêm reclamando. Isso acontece pelo fato do sistema ser novo na cidade. Acertos estão sendo realizados e, não posso definir aqui, mas a nossa intenção é que o sistema de integração no município seja implantado a partir do dia 8 de novembro”, informa.
O deputado federal Carlos Zarattini (PT) também participou da audiência pública. Segundo Pagani, ele foi convidado para que compartilhasse com os presentes a sua experiência na implantação do sistema de bilhete único no transporte coletivo da Capital, quando ele integrava o governo da então prefeita Marta Suplicy.
Rossi enfatiza que a questão da reestruturação do Departamento de Engenharia de Tráfego no município vai contar com a ajuda da Faculdade de Tecnologia (Fatec) para realizar uma pesquisa que irá definir o perfil do usuário do transporte coletivo em Botucatu.
A questão da integração foi apontada por Bento como uma solução para a questão dos atrasos nas linhas de ônibus circulares. O representante da empresa de ônibus também respondeu questionamentos sobre a utilização dos micro-ônibus e a falta de cobradores nos veículos.
“O fator equilíbrio econômico/financeiro é a razão pela qual a empresa optou pelos micro-ônibus e nunca foi a intenção extinguir o cargo de cobrador e sim dar-lhes uma nova função, de acordo com o novo sistema e sem ociosidade”, pondera.