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‘Dossiegate’: acordo adia depoimentos

Folhapress
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Brasília - Um acordo entre oposição e governo adiou por 21 dias o depoimento na CPI dos Sanguessugas dos três primeiros envolvidos no caso dossiegate, o que estava marcado para ocorrer ontem. O discurso oficial foi o de que era preciso mais tempo para analisar documentos. Nos bastidores, PSDB e PT selaram acordo tácito para frear o ritmo das investigações. “O arrefecimento foi claro. Toda a pressa que havia para a apuração não existe mais”, disse Júlio Delgado (PSB-MG), que falou ser contra o adiamento.

“Houve um entendimento entre o PT e o PSDB para não realizarem a reunião”, avaliou o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), que também foi contra. Os três depoentes chegaram a ir à CPI, inutilmente. Jorge Lorenzetti, ex-coordenador do setor de inteligência da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, é apontado pela Polícia Federal (PF) como o coordenador da trama para adquirir, por R$ 1,7 milhão, documentos contra governador eleito de São Paulo José Serra (PSDB).

Gedimar Passos, que trabalhava sob as ordens de Lorenzetti, e Valdebran Padilha, que negociava o dossiê em nome da família Vedoin, foram presos no dia 15 de setembro. “Ia manter o que disse à PF”, afirmou Valdebran, que se disse contrariado com o adiamento. À PF ele afirmou que não tinha conhecimento sobre a origem do dinheiro. Gedimar saiu sem falar com a imprensa. Lorenzetti não comentou nada. Os depoimentos foram remarcados para o dia 21.

Responsável pela sub-relatoria que investiga a participação do Executivo no esquema, o deputado tucano Júlio Redecker (RS) afirmou que a CPI “deliberadamente” estava enterrando essa investigação específica. Ele reclama da constante falta de quórum para a realização das reuniões da comissão, o que evitou até agora a votação de vários requerimentos. A CPI acaba em meados de dezembro. Logo pela manhã, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), que coordenou a campanha de Geraldo Alckmin, ligou para integrantes da CPI para pedir o adiamento. Outros da oposição trabalharam no mesmo sentido e encontraram um PT pronto a aceitar o acordo.

O acordo se deu pelo seguinte: passada a eleição, a oposição não tem mais a urgência de fustigar o governo com o caso. E não tem nenhum interesse que a investigação avance para a suposta participação do PSDB no esquema. Ela se daria, supostamente, na atuação do empresário Abel Pereira para facilitar a liberação de verbas do Ministério da Saúde, para o esquema, na gestão do tucano Barjas Negri, que sucedeu Serra no posto.

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