Economia & Negócios

Crédito fácil eleva em 12% a inadimplência no comércio

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A ampliação da oferta de crédito no mercado e de empréstimos com desconto em folha de pagamento estão entre as principais causas do aumento de 12,37% na quantidade de pessoas que tiveram o nome inscrito na lista do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru em outubro, na comparação com o mesmo período do ano passado. A avaliação é do economista Reinaldo Cafeo.

De acordo com levantamento feito pelo SPC, órgão ligado à Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a pedido da reportagem, no mês passado foram incluídos 3.024 consumidores na lista de devedores do comércio. O resultado é 12,37% superior aos 2.691 registrados em outubro de 2005. O resultado só não ultrapassou a quantidade de nomes incluídos em setembro deste ano, que foi de 3.058.

“Houve um boom na liberação de crédito e muita gente perdeu o controle das finanças. O crédito consignado e o alongamento dos prazos para pagar oferecidos pelos lojistas prejudicou quem não controla o orçamento familiar. No caso do crédito consignado, na hora em que a pessoa fez o financiamento no banco acabou retirando praticamente 30% do dinheiro dela. Depois, entre pagar um crediário e buscar sua sobrevivência, certamente ficará com a segunda opção”, analisa o economista.

Segundo ele, uma das principais causas da inadimplência é a falta de planejamento. Sem exercer o controle do seu próprio orçamento, muitas pessoas acabam fazendo dívidas que depois não conseguem quitar.

Isso também tem refletido, segundo Cafeo, na estabilidade das vendas no comércio da cidade. “Neste ano, o comércio não está vendendo como vendia antes. As pessoas, ou não compram ou, quando compram, não ultrapassam o limite da sua renda. Então, quem continua comprando a prazo são pessoas que gostam de arriscar mais”, acrescenta.

Dívidas pagas

Em relação ao número de pessoas que conseguiram pagar suas dívidas e retirar o nome da lista do órgão de proteção ao crédito em outubro deste ano, o resultado é praticamente igual na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 2.686 exclusões no mês passado contra 2.638 no ano 2005. Em setembro deste ano, um número maior de pessoas conseguiu sair da lista: 2.714, segundo o SPC.

“O fato da quantidade de pessoas que conseguiram sair do SPC ter se mantido estável significa que não há nenhum fenômeno na economia que esteja estimulando um número maior de consumidores a pagar suas dívidas no comércio. Mas há uma tendência natural dessas exclusões aumentarem em novembro e dezembro, porque em função das compras de Natal, muita gente usa parte do 13.º salário para quitar essas dívidas”, explica Cafeo.

Em relação ao número de consultas feitas por lojistas ao SPC, item considerado como o termômetro das vendas no comércio, em outubro deste ano foram realizadas 120.013 consultas, contra 131.717 no mesmo período do ano passado e 122.452 em setembro deste ano.

“O número maior de consultas em setembro do que em outubro deste ano é surpreendente, pois o comércio teve o apelo do Dia das Crianças (12 de outubro). Isso demonstra que apenas um setor específico, diretamente ligado a produtos infantis, deve ter tido incremento nas vendas. Isso mostra que não houve vigor no comércio ao ponto de estimular o consumidor a fazer mais compras. Mas isso deve mudar neste mês de novembro com a proximidade do Natal”, observa Cafeo.

____________________

Compras à vista

Conforme matéria publicada no Jornal da Cidade no último dia 25, a atitude mais prudente para o final de ano é economizar para conseguir pagar as compras à vista. Desta forma, além de não sobrarem dívidas que acabam se acumulando com os tradicionais gastos de início de ano, o consumidor tem maior poder de negociação.

O economista Reinaldo Cafeo, que também integra a diretoria da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), alerta para as estratégias do comércio, que deve ser mais agressivo e oferecer crediários mais longos. “O consumidor deve ter muito cuidado para não comprometer o orçamento”, reforça.

No caso do cartão de crédito, cada vez mais utilizado pelos consumidores, continua valendo a máxima de evitar o pagamento da fatura mínima.

Os juros mensais do cartão giram em torno de 11%. Então, os gastos de final de ano devem ser cuidadosamente planejados, e quem tiver dívidas deve tentar renegociá-las junto aos credores. “Os lojistas estão abertos a isso”, garante Cafeo.

O presidente da Acib, Cássio Carvalho, acredita que as vendas no comércio devem superar os resultados de 2005. O vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto de Bernardis, tem a mesma opinião. “Acredito em vendas melhores, inclusive motivadas pela campanha que sorteará dois cruzeiros marítimos neste mês”, afirma.

Comentários

Comentários