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Entre flores e velas, brinquedos disputam espaço em cemitérios

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Apesar do lugar cativo, as flores e as velas disputaram ontem, Dia de Finados, espaço com diversos atrativos para crianças. Além do colorido tradicional, a entrada dos cemitérios de Bauru foi “decorada” com bolas, brinquedos infláveis, marionetes, algodão-doce e raspadinha. Teve quem arriscou vender até pano de prato.

E valeu a pena, garante Rita Rosa José, acomodada num banco próximo à entrada do Cemitério Cristo Rei. “É o que dá para fazer diante da crise”, comenta. O chapeiro José Benedito de Souza também inovou. Contou com as crianças para vender homens-aranhas e power rangers, cheios de ar. Enquanto esperava a chegada delas, chamava a atenção de quem passava pelo Cemitério do Ypê com duas marionetes sinistras.

“Mas o povo está sem dinheiro no bolso”, comenta Oscar Ferreira, vendedor de algodão-doce. A atividade dele, no entanto, não atrapalhou em nada a venda de flores e velas. “Vendeu mais que no ano passado. Vale a pena. No próximo ano eu volto”, comenta Cleonice Santos Souza que, pelo segundo ano consecutivo, vendeu vasos no Cemitério Cristo Rei.

Os negócios também superaram a expectativa no Cemitério da Saudade, informa Cícero Gomes. Entre anteontem e ontem, ele vendeu dois mil vasos. Já o vendedor de raspadinha Emerson de Paula não conseguiu tantos clientes quanto esperava. Levou uma pequena rasteira do tempo nublado e, depois, da chuva.

Clima

Aliás, o clima ameno ontem em relação aos dias anteriores foi comemorado por quem visitou os cemitérios para prestar homenagens aos parentes e amigos mortos. Até mesmo o incômodo da chuva, em alguns horários, foi considerado melhor do que o temido sol escaldante. Para driblá-lo, muita gente adiantou o compromisso para o período da manhã. Cerca de 15 mil pessoas passaram pelo Cemitério do Ypê, que é particular, até às 12h.

O tráfego na avenida José Aiello, de acesso ao cemitério ficou difícil. O motorista precisou esperar pelo menos 20 minutos dentro do carro para chegar próximo à entrada. À direita e à esquerda, carros estacionados por todo lado. A advogada Angela Maeda, por exemplo, andou cerca de um quilômetro a pé para entrar no cemitério.

“Hoje foi um exercício, uma caminhada forçada. Por causa do sol, o pessoal se concentrou na parte da manhã”, comenta. Na opinião dela, muita gente ficou com medo de esperar até a tarde e enfrentar chuva ou sol forte. “Depois do almoço, geralmente esquenta muito. Foi melhor assim (com o tempo nublado)”, explica o técnico em eletrônica Jurandir Cristino dos Santos.

Ele e a esposa Marta Sueli Caldeira dos Santos prestaram homenagens a parentes mortos no Cemitério Cristo Rei. Ao todo, 40 mil pessoas fizeram como eles e passaram durante o dia de ontem pelos cemitérios públicos da cidade (Cristo Rei, Saudade, Redentor, Tibiriçá e São Benedito). Até domingo, o número saltará para 80 mil, estima a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Para evitar o movimento, o casal Arino de Jesus Santos e Marilene Santos Del Rio esteve no Cemitério da Saudade no horário do almoço, quando chovia. “Cedo é muita gente. É melhor vir mais tarde, mesmo com chuva”, conclui o marido.

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Túmulos famosos

Como acontece ano após ano, alguns túmulos famosos também foram muito visitados ontem por fiéis em busca de graça. O de Mara Lúcia Vieira, no Cemitério da Saudade, é um deles. Na década de 70, aos 7 anos, ela foi estuprada e morta numa residência situada na rua Professor José Ranieri. O crime abalou a cidade e até hoje não foi elucidado.

Passados mais de 30 anos, fiéis garantem que a menina ainda faz milagres. “Recebi muitas graças. A primeira vez que eu pedi fazia oito dias que ela tinha falecido. Ela sempre me atendeu”, comenta uma senhora, que pediu para não ser identificada em respeito à menina. Fiéis também levaram flores ao túmulo da Mãe Preta.

As placas com agradecimento por graças alcançadas também podiam ser vistas no jazigo da parteira Maria Nunes, que morreu em 1917, e da filha dela, a prostituta Josefina Nunes, morta em 1922.

A história conta que o padre Francisco Wan der Mas se recusou a encomendar o corpo de Josefina quando ela morreu, o que teria causado polêmica em Bauru.

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