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Povo tem de pressionar Lula, segundo dom Cláudio Hummes

Por Leandro Beguoci | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O cardeal dom Cláudio Hummes, recém-nomeado para o “ministério do papa”, na Congregação para o Clero, era chamado de candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a sumo pontífice no ano passado, dada a ligação entre os dois.

Antes de ir embora, contudo, o ex-arcebispo e atual administrador apostólico da Arquidiocese de São Paulo tem deixado alguns recados tanto para o presidente - que conhece desde o final dos anos 70 - quanto para o eleitorado do petista. Ao mesmo tempo, se colocou à disposição para estreitar as relações entre Vaticano e governo.

Questionado se Lula teria condições de fazer um segundo mandato melhor que o anterior, o cardeal respondeu: “Creio que ele tem mais condições. Acredito muito, tenho muito fé e esperança de que o Lula faça um bom governo”. Em seguida, fez uma ressalva. “Mas é preciso que a sociedade e o governo, claro, queiram também fazer isso. Sempre acho que o povo é que tem que fazer uma pressão democrática, pacífica, mas tem de fazer essa pressão para que o governo sinta respaldo para fazer isso e às vezes até para que sinta vontade para isso (fazer o país crescer)”, declarou.

“Lula diz que constituiu os fundamentos e que agora ele pode construir. Esperamos que sobretudo faça crescer o Brasil, dê trabalho ao povo. Claro que enquanto o povo não tem trabalho, a sociedade terá de encontrar uma forma de ajudar esse povo”, disse o cardeal, que também se mostrou disposto a tornar mais próximas as relações entre o governo e a Santa Sé. “A gente sempre ajuda.”

Além dos conselhos a Lula e aos eleitores, o cardeal deixou alguns conselhos para o próximo arcebispo. Ele afirmou que seu sucessor tem de ser “criativo, missionário, evangelizador, que esteja muito do lado dos pobres, muito solidário, é por aí que certamente deverá ir”.

Missa de despedida

O cardeal falou à mídia após a missa de Finados que celebrou no cemitério Gethsêmani, ontem pela manhã. Segundo a administração do sepulcrário -ligado à Arquidiocese de São Paulo, na zona norte da capital paulista-, cerca de 2.500 pessoas participaram de uma das últimas missas de d.Cláudio em São Paulo, que deve deixar a cidade até o final deste mês.

Durante o sermão aos fiéis, o futuro membro da Cúria Romana deu mostras de afinidade doutrinal com o papa Bento XVI. Tal como o sumo pontífice, conhecido pelo rigor doutrinário, ele disse que os fiéis não podem esquecer das “verdades fundamentais” da religião, ao falar sobre a busca por uma vida correta. “Cristo ressuscita dos mortos, vence a morte”.

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