Amanhã, Margarida Padiar, sócia-proprietária de uma loja de roupas e brinquedos na Vila Lemos, em Bauru, viajará para São Paulo em busca de mercadorias para o Natal. Sua primeira parada será a rua 25 de Março, principal centro comercial paulistano. “Tenho muitas encomendas para entregar semana que vem. Se eu esperar o viajante, não consigo atender o cliente no prazo”, diz.
Por conta desse motivo, aliado à facilidade de compra e à possibilidade de preços mais acessíveis, centenas de outros pequenos lojistas bauruenses, assim como Padiar, estão de malas prontas para São Paulo.
Segundo eles, o custo e o desgaste da viagem compensam. “O preço é muito bom. Comprando lá (em São Paulo), consigo ter uma margem de lucro de até 20%, o que não seria possível se eu negociasse com um representante comercial”, destaca Padiar.
“É bem mais viável buscar a mercadoria. Dá para a gente escolher melhor o produto, pesquisar preço e chorar por um descontinho. Sem falar que o cliente recebe o pedido mais rápido”, comenta Mitiko Tokohara Uetsi, dona de uma loja de presentes em Bauru.
O consultor financeiro Carlos Eduardo de Oliveira lembra que os lojistas devem levar em consideração o custo-benefício da viagem antes de ir às compras na Capital. “É preciso pôr na ponta do lápis a despesa com a viagem e a margem de lucro que se poderá obter para evitar prejuízos”, orienta.
Clarice Teófilo Astolfi organiza excursões para compras na Capital há 15 anos. Ela acredita que, a partir deste mês, o número de passageiros cresça 50%. “Por semana, consigo lotar dois ônibus. Agora, com a proximidade do Natal, devo sair com mais um. As pessoas costumam ir mais que uma vez no mês”, relata.
Segundo Astolfi, a passagem da excursão, de ida e volta, custa R$ 50,00, com parada no Bairro do Brás, na zona Leste da Capital.
Investimentos
Vestidos, blusas e brinquedos, muitos brinquedos, estão na lista da comerciante Margarida Padiar, que vai neste domingo a São Paulo fazer compras para abastecer o estoque de sua loja neste Natal.
“Tenho 20 encomendas de bonecas, 21 de carrinhos e algumas de vestidos. Tudo para as festas de fim de ano. Mas não vai dar para trazer tudo o que preciso. Até o Natal, devo voltar (à Capital) mais duas vezes”, diz a comerciante, que estima investir R$ 5 mil em mercadorias para revenda até o mês de dezembro.
Adolfo Lourenço, funcionário de uma loja de presentes no Altos da Cidade, em Bauru, já começa a preparar as prateleiras para a chegada das mercadorias de Natal que virão da 25 de Março. “Nossa expectativa é vender mais que no ano passado, principalmente brinquedos, pelúcia e artigos para casa”, comenta.
Mitiko Uetsi, também espera vendas mais “gordas” neste final de ano. Na última semana, ela visitou São Paulo em busca de novidades para atrair a clientela. “Trouxe muito brinquedo, roupa e bijuteria. Acredito que o movimento será grande daqui para frente. Nesta época, todo mundo compra uma lembrancinha. Acho que terei que voltar mais uma vez para repor o estoque”, acrescenta.
____________________
Classes A e B
A maior parte dos consumidores que freqüentam o comércio da rua 25 de Março, em São Paulo, pertence às classes A e B. A informação é da consultoria TNS InterScience, responsável pela pesquisa. O estudo apontou que essas pessoas de maior renda somam 58% do total.
Conforme o levantamento, a classe A representa 12% dos compradores, enquanto a B, 46%. Aparelhos eletrônicos, fantasias e jogos são as principais mercadorias consumidas. A classe D, que representa 9% dos freqüentadores, apresenta o mesmo perfil, aponta a pesquisa.