Polícia

Adolescente desaparece em poço ao tentar salvar irmão

Clarissa Castiglione
| Tempo de leitura: 3 min

Um adolescente de 14 anos desapareceu em um poço de um afluente do córrego da Grama, na altura do Jardim Rosa Branca, em Bauru, ontem à tarde. Ele estava tentando salvar o irmão mais novo, que estava se afogando. Os bombeiros mergulharam no poço, formado pelo pequeno córrego e água da chuva e com mais de 3 metros de profundidade, mas não encontraram o corpo. O trabalho de resgate foi interrompido às 21h e será retomado hoje.

Por volta das 22h30, populares acharam um corpo no córrego, mas até o fechamento desta edição a família do adolescente não havia feito reconhecimento. À tarde, um grupo de adolescentes e crianças que nadava no poço presenciou Igor Rodrigo Bruno de Souza, morador da Vila Falcão, sumir nas águas ao tentar salvar seu irmão, Rafael Bruno de Souza, 12 anos. Segundo a irmã dos meninos, Dara Taís Bruno de Souza, que também estava no local, os dois não sabiam nadar.

“O Igor foi salvar o Rafael, que estava se afogando, quando um outro menino veio e ajudou ele a sair da água. Ele começou a pedir socorro e, no que todo mundo foi ajudar, ele sumiu e não deu mais tempo”, relata a menina que fez 11 anos ontem.

A Polícia Civil e mergulhadores do Corpo de Bombeiros, munidos de barco, foram acionados e chegaram ao local cerca de 40 minutos depois do desaparecimento do adolescente. Algumas horas depois, a Polícia Científica compareceu ao local.

A quantidade de galhos de árvores e lixo dentro do poço dificultou o trabalho. Segundo o bombeiro Reinaldo Oliveira, um grupo de amigos estava nadando quando Rafael Bruno de Souza começou a se afogar. Foi quando o irmão dele pulou na água para salvá-lo. Os dois não sabiam nadar. O irmão mais novo foi salvo, enquanto Igor desapareceu.

“Aqui é um deságüe de água fluvial. Enquanto existir, as crianças continuarão a vir nadar aqui. A água é muito suja, tinha até um cachorro morto que os meninos colocaram de lado para nadar”, afirma Oliveira. Segundo informou o Corpo de Bombeiros, o poço, por ser uma erosão, tem profundidade variável. Eles calcularam entre 3 a 4 metros nos lugares mais rasos e de 5 a 7 metros nos mais fundos.

Outra observação que Oliveira fez é com relação ao perigo iminente no momento da salvação de vítimas de afogamento. “As pessoas acreditam que vão conseguir salvar, mesmo não sabendo nadar. A pessoa que pula para socorrer até consegue retirar a vítima, mas quando não sabe nadar, ela passa a correr risco de afogamento”, alerta.

De acordo com informações dos bombeiros, esse foi o primeiro caso de desaparecimento de pessoa no poço. “Evitar que essa água deságüe aqui não dá. O jeito seria colocar pedras, fechar ou canalizá-la através de dutos”, explica Oliveira.

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Família

Para o tio de Igor, José Mauro Bruno, a mãe dele, Luzia Renata Bruno, não sabia que os filhos estavam no poço. “Ninguém sabia que os três irmãos estavam aqui. A mãe entra no trabalho às 3h da tarde vai até as 10 da noite. Eles moram na Falcão e vieram até aqui para nadar”, disse o tio. Durante a semana, segundo David Bruno, primo da vítima, o local atrai crianças que vão até lá para brincar no córrego. “Isso aqui parece praia, com mais de 50 crianças nadando. Tem até molecadinha de 6 anos no meio”, afirma Bruno.

Uma multidão, incluindo crianças e moradores da região, se reuniu em torno do poço para acompanhar a procura por Igor. Os irmãos do adolescente também permaneceram no local durante o resgate. Já a mãe, segundo parentes, sabia apenas que o filho havia desaparecido no poço. Dara, irmã de Igor, disse que não era a primeira vez que o irmão caçula nadava no local. “Minha mãe tinha avisado para o Rafael não ir em beira de rio porque ele podia pegar uma doença ou até morrer. Mas ele teimou e foi”.

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