Viajar ao pôr-do-sol, ou mesmo durante a noite, pode parecer mais agradável ao motorista. No entanto, os riscos de ocorrerem acidentes são muito maiores, se comparados ao período diurno. Entre o final da tarde e no decorrer da noite são registrados os maiores índices de colisões, tanto nas estradas da região de Bauru quanto em todo o Estado. De janeiro a outubro deste ano, 56% dos 4.477 acidentes registrados em estradas no entorno dos municípios de Bauru, Jaú, Lins, Avaré e Botucatu ocorreram durante o período noturno, segundo dados da 1ª Companhia de Policiamento Militar Rodoviário.
Já um levantamento da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) mostra que 27% dessas colisões acontecem num determinado intervalo de tempo, entre o final da tarde e o início da noite, das 16h às 20h. Os principais culpados seriam a redução abrupta da visibilidade num pequeno espaço de tempo, o cansaço e o aumento do fluxo de carros nas rodovias, principalmente nos perímetros urbanos.
Segundo o cabo Carlos Henrique Pescinelli, da Base de Policiamento Rodoviário de Bauru, uma somatória de fatores contribuem para o elevado índice de acidentes registrados entre 16h e 20h. “Este seria o horário mais crítico e a queda na visibilidade é o fator preponderante, já que o sistema ocular humano demora um pouco para se acostumar com a rápida redução da luz solar”, afirma.
“Além disso, quando o motorista passa por Bauru nesse horário, geralmente ele já está na estrada há algumas horas, um pouco cansado. Ao trafegar pelo perímetro urbano, o fluxo de veículos aumenta, geralmente devido às pessoas saindo ou chegando do trabalho e das faculdades. Tudo isso somado propicia um maior número de colisões durante esse período”, completa.
Outro fator seria a confiança excessiva dos motoristas, que acabam cometendo alguns deslizes. “É comum precisarmos parar os carros e chamar a atenção dos motoristas para que eles acendam os faróis durante o período de transição do dia para a noite. Muitos deles não se dão conta do prejuízo que a atitude pode causar.”
Exemplo vivo
O promotor de eventos Lino Montanari Moreno sofreu dois acidentes relativamente graves em viagens durante o período noturno. Em um deles, ocorrido por volta das 19h de um domingo, após o feriado de 7 de setembro do ano de 2001, o carro em que viajava, rumo à Capital, atravessou a rodovia Marechal Rondon, próximo à cidade de Lençóis Paulista, só parando em cima da faixa, no sentido contrário.
“Foi total descuido dele. Minha namorada deu seta e foi para a pista da esquerda. O motorista não percebeu que estava sendo ultrapassado e invadiu a nossa faixa. A parte traseira esquerda do carro dele atingiu a parte direita da frente do nosso carro. Com o impacto, perdemos o controle, passamos pela canaleta e só paramos do outro lado. Por sorte, nenhum carro estava passando no sentido contrário e não sofremos nenhum ferimento”, conta.
Em outra oportunidade, o promotor de eventos conseguiu salvar a vida de uma vaca. No entanto, ficou preso dentro de seu carro, que ficou gravemente avariado. “Era por volta de 3h, estava vindo de uma festa numa cidade vizinha. De repente, numa curva, avistei uma vaca. Não deu nem tempo de pensar. Desviei dela, mas passei por uma cerca de arame farpado que se enrolou na lataria, me deixando preso”, revela Moreno.
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Cuidado redobrado
Segundo a Artesp, 70% das mortes decorrentes de acidentes em estradas de São Paulo ocorrem entre 16h e 4h. Para o cabo Pescinelli, do Policiamento Rodoviário, no período noturno, o motorista leva mais tempo para perceber possíveis obstáculos e tomar atitudes para evitar colisões.
“Durante o dia, o olho humano pode enxergar obstáculos localizados a até 1 quilômetro de distância, dependendo do local. À noite você só vê até onde seu farol alcança. Com isso, o tempo de reação a qualquer dificuldade se reduz. Você não sabe o que pode encontrar na pista, e quando se dá conta, o objeto está muito próximo”, afirma.
Os motoristas devem ter cuidado redobrado ao trafegar em rodovias de pista simples. Segundo Pescinelli, o risco de acidentes é superior em relação a estradas duplicadas devido à condição física antagônica dos dois tipos de vias.
“Em pista simples, o motorista trafega muito próximo do carro que viaja no sentido contrário. Como a maioria dos acostamentos são de terra e nem sempre estão em boas condições, desviar de um eventual acidente fica mais difícil. Ao contrário da pista dupla, onde geralmente você tem duas faixas de rolagem e ainda o acostamento, que pode ser usado em caso de emergência”, ressalta.