Bairros

Interior é recordista em casos de dengue

Por Da Redação | Com Agência Estado
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Em números absolutos, o Estado de São Paulo é o campeão do País em casos de dengue neste ano. Só até setembro, 43.282 pessoas já haviam contraído a doença mostra levantamento do Ministério da Saúde. O foco do problema, no entanto, não está na Capital, mas no Interior. Apenas cinco municípios paulistas concentram mais de 57% das notificações. O primeiro deles em número de casos é São José do Rio Preto com 11.976 registros, em 2006.

O segundo colocado é Ribeirão Preto com 3.663 notificações, número oito vezes maior em relação à cidade de São Paulo. Em Bauru, por exemplo, quando a estatística relaciona só os casos autóctones (contraídos na cidade), o índice cai. Mas somando tudo, inclusive os importados, a alta é 25% superior neste ano em relação ao ano passado.

O percentual reitera levantamento que aponta o ano 2006 com número de casos só inferior ao de 2002, quando houve a pior epidemia de todos os tempos. Naquele ano, 150 pessoas morreram depois de terem sido picadas pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A maior parte das vítimas morava na cidade do Rio, estado que atualmente figura como o terceiro do ranking, atrás do Ceará, onde 34.188 pegaram a doença.

Já entre os cariocas, 29.288 foram contaminados com a dengue nestes anos. Nos nove primeiros meses deste ano, foram registrados cerca de 279 mil casos de pessoas doentes no País, contra aproximadamente 248 mil de todo o ano passado. Quase a metade, neste ano, está concentrada na região Sudeste.

Foco

O foco maior é o Interior do Estado de São Paulo. Na comparação entre os nove primeiros meses de 2005 e o mesmo período de 2006, o aumento no número de doentes foi de quase 700%.

E os percentuais poderiam ser ainda maiores. É possível que o número de doentes em São José do Rio Preto seja mais alto que o informado ao Ministério da Saúde. Em meados deste ano, o Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo do Estado, perdeu mais de duas mil amostras de sangue de doentes com suspeita de dengue.

O material foi perdido por conta de uma queda de energia no laboratório do órgão. Com ou sem o acréscimo de casos, a Secretaria do Estado da Saúde discorda do levantamento que coloca o Estado de São Paulo como primeiro colocado no ranking de casos, com base em números absolutos.

Por meio da assessoria de imprensa, o órgão ressalta que São Paulo é o Estado com o maior número de habitantes. Portanto, se a análise considerasse o número de notificações em relação ao total de habitantes, os paulistas cairiam no levantamento.

Dengue hemorrágica

Existem, no mundo, quatro sorotipos do vírus da dengue. No Brasil, foram registrados os tipos 1, 2 e 3. Quem se infecta uma vez fica imunizado e não corre o risco de voltar a contrair o mesmo sorotipo. No entanto, pode ser contagiado pelos outros tipos.

Quando a pessoa contrai dengue pela segunda vez, a doença se manifesta de forma muito mais agressiva e o doente corre o risco de desenvolver a forma hemorrágica, que pode levar à morte.

Uma das preocupações das autoridades de saúde é que o tipo 4 pode chegar ao território nacional a qualquer momento. Países vizinhos, como a Venezuela, a Guiana Francesa e o Peru, já tiveram epidemias provocadas por esse sorotipo. Uma epidemia no Brasil seria inevitável, já que ninguém tem imunidade contra o tipo 4.

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Dia D

Neste ano, o Dia D de Combate à Dengue será o próximo dia 18. Sempre antes do início das chuvas, o Dia D é uma data escolhida pelo Ministério da Saúde para chamar a atenção da sociedade para o problema e incentivá-la a combater o mosquito.

Também tem o objetivo de alertar os prefeitos, que recebem verbas específicas do Ministério da Saúde e são os responsáveis diretos pelo controle da doença. A Secretaria do Estado da Saúde também reitera que a prevenção à doença e o controle de vetores são atribuições da administração de cada município.

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Em Bauru

O período de chuva e calor só está começando e Bauru já registra 25% a mais de casos de dengue em relação ao ano passado. A soma atual é de 51 registros da doença, sendo 24 autóctones (contraídos na própria cidade). No ano passado, acrescentando os importados, o total não ultrapassou as 38 notificações. Tomando como base só os autóctones, até agora, o número é inferior em 2006 (se comparado com 2005).

Segundo o Departamento de Saúde Coletiva, as medidas de controle e prevenção foram desencadeadas nas áreas de abrangência dos casos.

As duas últimas pessoas infectadas no município são moradoras do Centro da cidade. Elas foram picadas pelo mosquito Aedes aegypti, inseto que se procria em água parada. Quando os casos são confirmados, a administração municipal realiza busca ativa de suspeitos da doença e controle de vetor.

A reportagem tentou confirmar números e levantar ontem outros procedimentos adotados pelo Departamento de Saúde Coletiva (DSC), órgão ligado à Secretaria da Saúde, mas não foi possível por conta do ponto facultativo.

Da Redação

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