Regional

Carcereiro é acusado de facilitar fuga

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Igaraçu do Tietê - A Polícia Civil prendeu ontem o carcereiro João Batista Alves Júnior, 36 anos, acusado de facilitar a fuga de 36 presos da Cadeia Pública de Igaraçu do Tietê, ocorrida em 16 de julho último.

Segundo as investigações, em troca de uma arma de fogo e serras para os presos, Alves receberia entre R$ 4 mil a R$ 5 mil. Ele foi preso ontem pela manhã ao chegar ao trabalho em Igaraçu sob as acusações de facilitação de fuga, formação de quadrilha, corrupção passiva, tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico e tentativa de homicídio.

Na ação de fuga, o preso Giovano Alves Pereira, 34 anos, foi baleado e morreu. O carcereiro Cosme Santos da Silva foi ferido com tiro na perna e um golpe de estilete na cabeça. O policial militar Wagner Rodrigues recebeu golpes na cabeça sem gravidade.

O inquérito sob responsabilidade da Delegacia Seccional de Jaú passou a investigar como os presos tiveram acesso às armas. O delegado seccional de Jaú, Antonio Carlos Piccino Filho, explicou que a investigação apontou Alves como responsável pela entrada de arma de fogo e serras. O carcereiro foi preso ontem, em Igaraçu, em cumprimento a mandado de prisão provisória (30 dias).

Em Jaú, os policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do carcereiro, onde foi apreendida uma pistola e munição que ele não tem permissão de porte. Piccino também registrou o flagrante por porte ilegal de arma e munição, previstos no Estatuto do Desarmamento.

Fácil

Aproveitando a prisão de Alves, a polícia fez uma revista, ontem, na Cadeia Pública de Igaraçu do Tietê e encontrou irregularidades. Segundo Piccino, foram localizados nas celas dois aparelhos celulares, duas serras novas e três gramas de maconha.

Durante cerca de quatro meses, a polícia juntou informações mobilizando o serviço de inteligência da Polícia Civil de Jaú, de Igaraçu e do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-4) em Bauru. O delegado explica que foram ouvidos diversos presos recapturados após a fuga - cerca de 29 - que apontaram o carcereiro como facilitador para a entrada das armas.

“Os presos confirmam que teve negociação com ele (Alves). Não foi pago porque acabou não dando certo porque um dos presos morreu”, ressalta Piccino.

O delegado Seccional de Jaú explica que, se condenado por todos os crimes, Alves pode ser sentenciado a uma pena maior do que 50 anos, apesar do Código Penal prever apenas 30 anos de reclusão. Alves foi removido ontem para um presídio da Polícia Civil em São Paulo. O seccional acrescenta que o acusado, há 10 anos na polícia, vai responder processo administrativo em que pode ser demitido a bem do serviço público. Piccino explica que o cumprimento dos mandados foi batizado de “Operação Canoa”, mobilizou 23 policiais civis e foi iniciado ontem às 5h, em Igaraçu e Jaú. “Canoa porque remete a Igaraçu”, frisa delegado.

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