Lençóis Paulista - Uma festa que já se tornou uma tradição mobiliza a comunidade católica de Lençóis Paulista (a 43 quilômetros de Bauru). A Festa do Milho chega à sua 28º edição apresentando como vedete o licor de milho e o top de linha, a sopa do mesmo grão. O evento, que arrecada fundos para obras da igreja, reúne aproximadamente 1.200 pessoas por dia e rende cerca de R$ 20 mil nos quatro dias de realização.
Durante o evento, é possível saborear cuscuz, pamonha, curau, pastel, minipizza, bolo, sorvete, milho cozido e a sopa. Mas a atração desta edição deve ficar por conta do licor de milho, que foi lançado neste ano.
Na festa do milho, outros produtos não têm vez, tudo que é vendido tem milho em sua receita. “Temos 13 anos de tradição. Em alguns anos fizemos duas festas, por isso estamos na 28º edição”, diz o pároco da igreja São Pedro e São Paulo, Marcelo Aparecido Paz. Ele lembra com bom humor que algumas pessoas até pedem pastel de carne, mas para manter a tradição ele não é fabricado nesta festa.
O evento está sendo preparado há dois meses e deve reunir pelo menos 120 voluntários para receber os 1.200 visitantes diários da festa, que dura dois finais de semana (4 e 5 e 11 e 12/11). Para que tudo saia dentro dos padrões estabelecidos pela tradição, existe uma comissão de festa.
“Essa equipe distribui o serviço. Cada uma das equipes fica encarregada da confecção de um produto. Nos dias de eventos, os voluntários começam a trabalhar por volta das 5h. Eles se alternam em turnos”, explica o pároco.
A preparação do cardápio é feita na cozinha piloto da paróquia, onde as normas de higiene são rigorosas, avisa o pároco. “A nossa cozinha é pequena, mas tem todos os equipamentos necessários para a confecção dos alimentos. A higiene é prioridade, todos voluntários usam tocas, luvas e máscaras, além de todo o aparato exigido.”
A expectativa dos organizadores é arrecadar R$ 20 mil líquidos. Os recursos serão utilizados na finalização das obras da nova igreja São Pedro e São Paulo, segundo Paz. “A festa levanta fundos para os trabalhos sociais da igreja. Essa, especificamente, está direcionada para o término da construção da matriz. São 1.400 metros quadrados”, informa.
O novo prédio da igreja, segundo o pároco, está em andamento. “Vai ser coberto no começo do ano. O antigo prédio será transformado em um grande salão paroquial. Hoje temos um salão paroquial e usamos o lado da igreja com barracas para a realização da festa.”
O maior gasto da festa é com a compra do milho, uma vez que a safra do grão é de dezembro a abril. “Não temos a produção de milho fora de época na cidade. O milho não é plantado em Lençóis Paulista. A gente tem a intenção de fazer isso, futuramente”, afirma.
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Como começou
A Festa do Milho começou em 1993 na cidade de Lençóis Paulista pela mãos do padre Ademar Domingos Roma, que na época era o titular da paróquia São Pedro e São Paulo, explica o pároco atual, Marcelo Aparecido Paz. “Ele queria promover um evento para arrecadar fundos para os trabalhos sociais da igreja. Procurou ajuda de um padre de Avaré, onde a festa do milho já era realizada.”
A equipe de organização da festa em Avaré se deslocou para Lençóis e passou o know-how. A equipe de festa da igreja lençoense aprendeu as receitas e seus segredos. De lá para cá, as ‘chefs’ da cozinha da igreja perpetuam as delícias.
Marlene Calixto é uma das voluntárias da Festa do Milho. Desde 1996 que ela conhece a receita da sopa de milho e seus segredinhos, aquele toque que torna a iguaria insuperável. A receita original ela guarda a sete-chaves, mas dá dicas. “Aprendi a fazer com uma pessoa que aprendeu com a equipe de Avaré.”
Para ela, o segredo da boa sopa de milho é o ponto. “O caldo deve ser colocado devagar. Coloca um pouco e deixa ferver para depois colocar mais. Não pode colocar o caldo de uma vez só, caso contrário desanda”, explica. Ela lembra que para a festa faz de quatro a cinco tambores de 70 litros de sopa para cada dia. “Nós vendemos a tigela, que dá quatro pratos.”