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Estratégia terá teste de fogo hoje

Folhapress
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São Paulo - É hoje - último dia do feriado prolongado de Finados - o teste: funcionará a estratégia do governo de reforçar as equipes de controladores de vôo de Brasília, para regularizar o tráfego aéreo? Ou acontecerão de novo os atrasos de até 20 horas que se tornaram freqüentes nos principais aeroportos do País na semana que passou?

O brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, garantiu anteontem: “Todos os aeroportos estão em situação normal”. Como a frase foi lançada no meio do feriado, não teve o ônus da prova, que se apresenta amanhã, quando as pessoas querem voltar para casa. Já existe uma ameaça no ar, apresentada pelas associações de trabalhadores, que prometem manter a operação-padrão que limita em 14 o número de vôos vigiado por controlador.

Na queda de braço entre sindicato e governo, a vitória será de quem conseguir arrastar para o seu lado os 2.112 militares que compõem a categoria - entre eles os 149 convocados pela Aeronáutica em regime de emergência.

Formalmente, os sindicatos falam apenas pelos 571 civis que trabalham com proteção ao vôo, já que os militares são proibidos de se organizar em associações de cunho reivindicatório. Mas a agitação sindical pode contaminar os militares - esse o temor da oficialidade.

O movimento dos controladores, que estragou as folgas de Finados de uma parcela considerável da classe média, impondo, só na quinta-feira, atrasos de mais de quatro horas a 600 vôos, cada um deles ocupado, em média, por 150 pessoas, em um total de 90 mil prejudicados, ganhou explicação inesperadamente emocional.

Segundo Wellington Rodrigues, presidente da Associação Brasileira de Controladores de Tráfego Aéreo, o que aconteceu foi que, “com a saída dos dez profissionais que estavam de serviço no dia do acidente com o vôo 1907 da Gol (que matou 154 pessoas), a situação ficou insustentável”.

Segundo o sindicalista, o estresse levou a 20 dispensas médicas. É só somar: 20 dispensas mais o afastamento de dez controladores envolvidos no acidente da Gol e tem-se 30 homens, cuja ausência parou o tráfego aéreo brasileiro - o caos chegou a ser comparado ao chamado “apagão” na produção de energia, em 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

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