Entre as tantas formas de se morar existentes pela cidade, os condomínios verticais em conjuntos de blocos parecem estar entre as opções preferidas dos bauruenses. Prova disso é quantidade de gente vivendo atualmente nesse tipo de habitação. Segundo dados da Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan), Bauru conta com 33 empreendimentos dessa natureza (de três ou mais blocos).
A prefeitura calcula que esses locais possuam aproximadamente 7.000 apartamentos, que abrigariam cerca de 28 mil pessoas. Os valores são obtidos com base em parâmetros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estima em quatro a quantidade de moradores por unidade habitacional.
Os números tornam-se mais representativos quando comparados à população total da cidade – que, segundo o IBGE, seria de aproximadamente 350 mil pessoas. Feita a relação, descobre-se que quase 8% dos bauruenses vivem em condomínios verticais em blocos.
Alguns desses locais são verdadeiras cidadezinhas, onde a maioria dos moradores se conhece pelo nome, e as crianças têm liberdade para brincar até a noitinha sem que as mães fiquem preocupadas. No Residencial Vila Inglesa (situado na região central de Bauru) vivem pelo menos 1.200 pessoas, distribuídas em 384 apartamentos, que por sua vez estão divididos em 24 pequenos edifícios de quatro andares cada um.
Os números podem parecer vultosos, mas é fácil encontrar na cidade condomínios de dimensões ainda maiores. O Flamboyants, localizado perto da rotatória que liga a avenida Nações Unidas à rodovia Marechal Rondon (SP-300), possui 40 blocos e 640 apartamentos. Ali próximo existem outros empreendimentos gigantescos, que chegam a abrigar mais pessoas do que muitas cidades da região.
O número de habitantes do Residencial Camélias, por exemplo, equivale ao dobro da população de Balbinos (73 quilômetros a noroeste de Bauru). De acordo com o IBGE, o pequeno município possui pouco mais de 1.000 moradores, ao passo que no condomínio vivem pelo menos 2.100 pessoas (dados de cadastramento realizado em julho deste ano).
Tanta grandiosidade poderia servir apenas para inflar o ego dos moradores e administradores dos condomínios verticais de Bauru, mas a situação é um tanto complicada, já esses locais têm de conviver com dificuldades proporcionais às suas gigantescas dimensões.
O principal problema enfrentado pela administração dos residenciais é o alto custo para manutenção dos serviços de condomínio. No Vila Inglesa, por exemplo, o valor costuma ficar na casa dos R$ 78 mil, dos quais cerca de R$ 35 mil são destinados à folha de pagamento de funcionários (jardineiros, seguranças, entre outros).
Se todos os moradores desses locais estivessem com as taxas de condomínio em dia, os síndicos não teriam grandes dificuldades para realizar seu trabalho, só que, em geral, os conjuntos residenciais de Bauru enfrentam altos índices inadimplência. No Vila Inglesa a taxa oscila em torno de 10%, enquanto no Camélias o número chega perto dos 20%.
Além das questões financeiras, os responsáveis pelos condomínios são obrigados a lidar com problemas mais delicados: brigas entre vizinhos, reclamações por barulho, entre outros. Não por acaso, hoje em dia poucas pessoas mostram-se dispostas a ocupar o cargo de síndico.
“Algumas assembléias de condomínio sequer conseguem reunir a quantidade suficiente de pessoas para que uma chapa de cinco pessoas seja formada”, afirma a diretora regional do Sindicato da Habitação (Secovi), Leilane Aparecida Strongen Figueiredo.