Conviver ao lado de um grande número de pessoas nem sempre é problema. Para grande parte dos moradores dos condomínios verticais, a proximidade com os vizinhos é apontada como fator positivo. Fernando José da Silva, 34 anos, nasceu em Promissão (aproximadamente 120 quilômetros a noroeste de Bauru), mas mora no Residencial Camélias há cerca de três anos.
Silva conhece grande parte das pessoas que vive no local. Atuando como síndico do condomínio desde março, ele enxerga grandes semelhanças entre o lugar e sua cidade natal. “A forma como as pessoas se tratam é muito parecida. Promissão é um lugar pequeno, tem 30 mil habitantes apenas, e ali todo mundo se trata pelo nome também”, diz Silva.
O aposentado Angelo Ansanelli, 72 anos, vive no Residencial Vila Inglesa desde 2002 (antes ele morava numa casa do Jardim Godoy). “Aqui é bem mais seguro. A gente conhece todos os vizinhos e pode confiar em todo mundo, sem medo”, diz.
Ansanalli chegou a viver durante algum tempo em São Paulo, mas não gostou da vida na grande metrópole. “Minha casa era no bairro do Limão (zona oeste da Capital). Mas ali era um lugar complicado, onde falar bom dia era considerado ofensa pelas pessoas”, garante.
No Vila Inglesa, Ansanalli reencontrou valores que considerava perdidos há muitos anos. “O pessoal aqui costuma sentar nos bancos para bater papo, organizam festas e reuniões, é muito divertido”, diz. Da mesma forma que o síndico do Camélias, o aposentado também costuma comparar a vida nos condomínios ao dia-a-dia das cidades pequenas. “A única coisa que falta é a fofoca”, brinca.
A confiança que ele cultiva em relação às pessoas da Vila Inglesa é grande, tanto que há algum tempo Ansanalli deixou por conta do zelador o pagamento de sua taxa de condomínio. “Preenchi o cheque, entreguei para ele e viajei. Quando voltei, um mês depois, estava tudo pago, certinho”, confirma.