Bairros

Interesse por ser síndico é baixo

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

As dificuldades para se administrar um condomínio são tão grandes que poucas pessoas se mostram interessadas em assumir o cargo. A falta de interesse pela função é a mesma, independente do lugar em questão.

Leilane Aparecida Figueiredo, diretora regional do Sindicato da Habitação (Secovi) e responsável pelo setor de administração de condomínios, trabalha há cinco anos numa empresa que administra empreendimentos imobiliários e convive de perto com a realidade dos síndicos. “Acompanho o trabalho de grande parte deles, e posso afirmar: eles ganham pouco por tudo aquilo que fazem.”

Figueiredo está se referindo ao auxílio (em dinheiro ou isenção de pagamento da taxa de condomínio) que os moradores passam a receber quando assumem a função. “É um cargo que exige muita responsabilidade. A pessoa é obrigada a abrir mão do tempo livre e do convívio com a família”, lembra ela.

Adauto Sebastião Bombini Júnior foi síndico do Residencial Jardim dos Duques por dois mandatos consecutivos. “Foram dois anos em que perdi totalmente minha vida pessoal”, garante.

Casado e com filhos, algumas vezes, ele teve até de deixar de lado a atividade que exerce como bancário para poder cumprir suas obrigações de síndico. “Sem contar as inúmeras ocasiões em tive de abandonar festas e comemorações de família para poder resolver problemas do condomínio”, lembra Bombini Júnior.

Não por acaso, a cada dia que passa, fica mais difícil encontrar alguém disposto a encarar a função de síndico. “As eleições estão cada vez menos concorridas”, afirma Figueiredo. De acordo com ela, os próprios moradores demonstram interesse em relação aos problemas dos condomínios. “Há assembléias em que nem o síndico aparece para marcar presença”, garante.

Apesar de o cargo andar um tanto desprestigiado ultimamente, muitos pessoas ainda sentem orgulho pela oportunidade de poder exercer a função. Fernando José da Silva, 34 anos, sente satisfação pelo fato de ser síndico do Residencial Camélias. “É emocionante. Todo dia tenho de lidar com novos desafios: uma porta que

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