Se as dificuldades dos conjuntos residenciais se resumissem apenas às suas altas despesas de manutenção, os síndicos já teriam muitos motivos para ficarem preocupados. Mas o problema é ainda mais grave, já que, além de gastarem muito, os condomínios têm de enfrentar altas taxas de inadimplência por parte de seus moradores.
No Residencial Vila Inglesa, os índices são de cerca de 10% ao mês. “O ideal seria que ninguém estivesse devendo, mas comparando nossa situação com a de outros lugares de Bauru, não há muito do que reclamar”, diz Jorge Luís Bica Neto, síndico do lugar.
Para se precaver contra a falta dinheiro provocada por atrasos, a administração do condomínio criou uma espécie de fundo de reserva, onde é depositado o dinheiro que “sobra” da manutenção do condomínio.
“É uma garantia de que não ficaremos sem recursos em momentos de emergência”, explica Bica Neto. Para ter acesso ao fundo de reserva, o síndico precisa contar com aprovação de todos os proprietários de apartamentos, mas até o momento nenhum administrador da Vila Inglesa teve necessidade de recorrer ao dinheiro. “Por sorte, os recursos de que dispomos estão sendo suficientes”, diz Bica Neto.
Outros locais de Bauru enfrentam índices de inadimplência ainda maiores. No Residencial Camélias, aproximadamente 20% dos moradores estão com taxas condomínio em débito. O problema é tão sério, que a administração do empreendimento foi obrigada a terceirizar o serviços de manutenção existentes local. “Hoje em dia está tudo nas mãos de uma empresa, que faz, inclusive, a cobrança das dívidas em atraso”, explica o síndico Fernando José da Silva.
A terceirização parece ter dado certo, já que, de acordo com o Silva, o condomínio já não enfrenta problemas financeiros sérios. “Muitas pessoas começaram a quitar débitos antigos e já podemos usar esse dinheiro para realizar diversas obras nas áreas de uso comum”, diz Silva.