Saúde

Catapora pode causar diversas complicações

Por Daniela Ortega | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

De repente, umas pintinhas vermelhas começam a aparecer. Logo elas se transformam em pequenas bolhas que coçam demais. Esse é principal sintoma da catapora. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de uma doença boba, que é até bom a criança “pegar logo’’. Como lembra Flávia Galinutti Garcia Morkoski, pediatra do Hospital e Maternidade Beneficência Portuguesa, “uma doença com tantas complicações, é melhor não pegar nunca’’.

Entre essas complicações, estão principalmente infecções secundárias devido à baixa imunidade. “Quando tem catapora, se o paciente pegar uma gripe, ela já vai ser bem mais forte’’, diz a médica. Outras doenças que podem aparecer são meningite, encefalite e catapora hemorrágica, na qual as feridas da pele sangram.

Também pode acontecer de o vírus chegar ao músculo causando infecção e até necrose. “Nesse caso, tratamos com muito antibiótico e com câmara hiperbárica - exposição do local a muito oxigênio -, pois as bactérias são anaeróbias e, com o oxigênio, vão morrendo’’, conta Morkoski, acrescentando que esses casos são mais raros.

Por tudo isso, a médica diz que é bom que as crianças sejam vacinadas. “A vacina tem 98% de eficácia e, mesmo que depois a pessoa pegue catapora, é sempre bem atenuada.’’ O problema, diz ela, é que a vacina é cara (cerca de R$ 120,00) e não é distribuída em postos de saúde.

Mas o mais importante, segundo a pediatra, é lembrar os paciente não devem tomar ácido acetilsalicílico, o AAS, enquanto estiver com catapora, pois “pode provocar a Síndrome de Reye, que causa dano cerebral com seqüelas como perda muscular e retardamento mental.’’

Além de ser mais comum em crianças, a catapora também costuma ser menos grave nos pequenos. Em adultos, os sintomas normalmente são piores, com mais febre e mais lesões na pele, por exemplo. O essencial para o doente é o repouso. “A pessoa deve ficam em casa por dez a 15 dias’’, aconselha Morkoski.

Segundo ela, não há tratamento contra o vírus. “As únicas medidas são o uso de antivirais, nos casos mais graves, e de antialérgico para diminuir a coceira. Para a secar as lesões, no máximo, recomendamos permanganato de potássio bem diluídos em água.’’ E, para evitar marcas na pele depois que a doença passar, a médica diz que é importante o uso de protetor solar.

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Na escola

O auxiliar de administração Anderson Rodrigo Takashima, 22 anos, lembra-se até hoje de quando pegou catapora, quando tinha 6 anos. “Um dia, ao voltar da escola, vi que começaram a aparecer umas bolinhas que coçavam muito. Minha mãe logo viu e, como ela é técnica em enfermagem, soube de cara que era varicela’’, conta.

Ele diz que pegou de um garoto da escolinha que tinha ficado doente pouco tempo antes. “Não fiz um tratamento. Minha mãe só passou talco e falou que não podia coçar as feridas’’, fala. Ele nem sempre ele conseguia. “Às vezes eu não agüentava. Aí minha mãe passava a mão de leve para passar a coceira.’’

Além disso, ele conta que teve febre, dores e muita fraqueza. “Mas o que mais me marcou foi a agonia, ou melhor, a angústia de ficar coçando e de eu não poder coçar, além do constrangimento, de ficar isolado, sem poder sair’’, lembra Takashima. )

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