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Classe C é a que mais gasta com beleza

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

A mulher brasileira é vaidosa, especialmente as que fazem parte do grupo de 46 milhões de consumidores da classe C. Pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que essa é a classe social que mais gasta com produtos de higiene e beleza. Mais do que as mulheres que estão no topo da pirâmide social.

O gasto médio da classe C com esses produtos é de R$ 122,84 por mês. Supera os R$ 120,99 gastos pela classe B e os R$ 97,64 consumidos pelos mais ricos (veja quadro ao lado). Para efeito da pesquisa, fazem parte da classe C as famílias cuja renda varia de R$ 1,4 mil a R$ 3,5 mil.

Na opinião da sócia-diretora do Instituto Data Popular, Luciana Aguiar, existe uma razão de cunho social que explica tamanha preocupação com a aparência. Segundo ela, as pessoas procuram com isso se desfazer do estigma de ser pobre. O Data Popular é um instituto especializado em estudar hábitos de consumidores de baixa renda.

Para a secretária Valéria da Silva, 23 anos, a mulher brasileira é vaidosa por natureza. “Ela gosta de se sentir bonita”, afirma. Valéria conta que a cada duas semanas renova seu estoque de produtos de beleza. Entre máscaras hidratantes, xampus, condicionador e creme para os cabelos, ela gasta em média cerca de R$ 30,00 todos os meses nas lojas de cosméticos. Isso sem falar da despesa com manicure, pedicure e cabeleireira.

Perto da analista de sistemas Simone de Almeida, 44 anos, Valéria é até muito econômica. Além dos produtos de todo dia, como xampu, condicionador e cremes, Simone gasta com dermatologista e depilação, entre outros serviços diretamente ligados à conquista e preservação da beleza feminina.

“Tenho mania de xampu, de máscara para o rosto e de tudo quanto é tipo de creme”, diz ela. Toda sexta-feira, Simone tem horário fixo na manicure e pedicure. A cada 25 dias, ela faz uma visitinha ao cabeleireiro e aproveita para retocar a pintura do cabelo.

No fim do mês, todo esse cuidado lhe dá uma despesa de aproximadamente R$ 130,00. Segundo Simone, o investimento tem valido a pena. Os comentários são sempre animadores. “As pessoas falam que não parece que eu tenho 44 anos. E isso é bom”, comenta orgulhosa.

A estudante de direito Denise Rodeguer, 20 anos, também bate cartão toda semana no salão de beleza. “Eu adoro me sentir bonita e cheirosa”, revela. Ela mesma se classifica como consumidora contumaz de hidratantes para o corpo, filtro solar, xampus e outros produtos. Pelo menos duas vezes por mês faz compras por catálogos. Sem medo de errar, Denise afirma que sua despesa mensal com o item beleza gira em torno de R$ 150,00.

As amigas Rosa Alves de Sá, 40 anos, e Maria Aparecida da Silva, 43 anos, também estão sempre preocupadas em manter uma boa aparência. Pelo menos duas vezes por mês elas dão uma passadinha nas lojas de cosméticos em busca de cremes, esmaltes e outros produtos que eventualmente estejam faltando em casa. Cada uma afirma gastar em média cerca de R$ 50,00 com produtos de beleza.

A média é quase a mesma da estudante Pâmela de Souza Camargo, 18 anos. Segundo ela, a busca pela beleza ocorre quase por instinto entre as mulheres. Na opinião dela, quando uma pessoa se sente bonita a auto-estima sobe e, conseqüentemente, ela fica de bem com a vida e com todos sua volta. Tudo fica mais belo.

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‘Apareceu na mídia, vende’

No mundo dos produtos de beleza, assim como em outros setores da economia, o segredo do sucesso é aparecer na mídia - rádio, TV, jornal, revista, Internet, outdoor e outros meios. “Sempre que é lançado um produto novo, ele tem de aparecer na mídia. Se isso acontecer, as vendas estão garantidas”, afirma o gerente de uma loja de cosméticos Luiz de Caires Pereira, mais conhecido como Bahia.

Como prova de que o setor é um dos mais lucrativos hoje em dia, o gerente conta que a loja está sempre movimentada. Na semana passada, em pleno fim de mês, o movimento era considerado fraco pelo lojista. Mesmo assim, até por volta das 16h já haviam passado pelo local cerca de 500 consumidores. A loja fica na quadra 5 do Calçadão da Batista, no Centro da cidade.

Em época de pagamento, a freqüência diária chega a 2 mil clientes, o que inclui consumidores de outras cidades da região. O gasto médio de cada cliente, de acordo com o gerente, fica em torno de R$ 12,00.

Segundo Bahia, os campeões de venda na loja são os xampus, condicionadores, cremes hidratantes e esmaltes. De acordo com ele, a constatação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de que a classe C é a maior consumidora de produtos de beleza é facilmente comprovada em Bauru. “Sem dúvida nenhuma, quem mais gasta com esses produtos é a classe média”, afirma.

Ele destaca ainda que o consumo tem aumentado entre os mais pobres. Bahia arrisca uma explicação para isso. “O pobre quer ficar bonito, aumentar sua auto-estima, porque agora ele está no auge. Quem você acha que decidiu a eleição deste ano em favor do Lula? Foram os pobres”, comenta.

As classes C, D e E representam 87% da população brasileira, segundo o IBGE. Elas abrangem um mercado superior a Argentina, Chile e Uruguai juntos.

Independentemente da classe social, o que mais as pessoas levam em consideração na hora da compra é a qualidade do produto. “Se não tiver qualidade, não vende. Não basta ter preço baixo”, revela Vilma Alves da Silva Sauer, gerente de uma loja na quadra 1 da Praça Rui Barbosa. Se o produto oferece as duas coisas ao mesmo tempo (preço e qualidade) tem grandes chances de ser um campeão de vendas.

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