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Pais ainda temem contágio de hepatite em Emeii na Pousada

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O clima ainda é de apreensão entre os pais que têm seus filhos matriculados na Escola Municipal de Ensino Infantil Integrada (Emeii) Maria de Fátima Lima Figueiredo, na Pousada da Esperança 1. No período de um mês, teriam sido constatados 13 casos de hepatite A na escola, entre eles uma funcionária, segundo o Conselho Municipal de Saúde. Pais suspeitam que medidas efetivas para manter a higiene do local não estejam sendo tomadas.

Lucilene Ferreira de Oliveira descobriu, há 15 dias, que seu filho de 4 anos, João, estava com a doença. “Um dia ele chegou em casa, reclamou que estava com dor de barriga e vomitou. Depois levei ele ao banheiro e percebi que a urina estava escura. No dia seguinte fomos ao posto de saúde e ficou comprovado que ele estava com hepatite”, conta.

A mãe acredita que o filho tenha contraído a doença na Emeii, que atende 114 crianças de 4 meses a 6 anos de idade. “Se o foco fosse dentro de casa, meus outros três filhos também teriam que estar com vírus”, diz a mulher, que pretende retirar o filho da escola. “Vou fazer o possível para que, tanto ele quanto os outros, não precisem mais voltar para lá”.

Segundo Lucilene, é comum ouvir comentários a respeito de falta de higiene dentro da escola nas rodas formadas pelas mães no horário de saída dos filhos. “Conhecidas minhas já me falaram que as crianças chegam a tomar água no banheiro. O que eu vejo é que elas saem bem sujas de lá. Pode ser pela falta de funcionários, mas acho que não justifica muito”, afirma.

De acordo com Madalena Júlia Martinho, presidente da associação de moradores do bairro e membro conselho gestor da Secretaria de Saúde, que visitou as dependências da Emeii, ela teria avistado um possível foco de disseminação da doença no banheiro. “Eles colocam o sabonete dentro de uma meia. Antes de lavar as mãos as crianças pegam ali. Hoje (ontem) o pano estava muito sujo”, revela.

Outra mãe, Luciana Maria Ferreira, prega ação. “Estou bastante preocupada, assim como todas as outras mães. Mas não podemos esperar, temos que nos juntar e agir, acompanhando e fiscalizando o que realmente está acontecendo”, conclama.

“É estranho ter esse número grande de casos. Mas nós trabalhamos o dia todo, não temos condição de pagar algo particular. Realmente precisamos desse serviço e não existe outra escolha por perto”, afirma Maria da Luz Teixeira Rocha, que tem um filho e um neto matriculados na Emeii. “A gente tem que ficar alerta e fazer o acompanhamento”, completa.

Na escola

A reportagem visitou a escola ontem, mas num primeiro momento a entrada não foi permitida. A autorização foi dada após cerca de 20 minutos de espera, com a chegada da diretora da Emeii, Santa Irene Devides Bianchi, que não permitiu que fossem feitas fotos das dependências mas confirmou que uma das funcionárias, acometida pela doença, está afastada da escola.

De acordo com Irene, os cuidados estão sendo redobrados. “Dá a impressão que ninguém liga para a higiene. Mas o que mais fazemos é limpar. Modificamos toda a rotina. Os banheiros são higienizados cinco vezes por dia ao invés de três, como era antes. Promovemos palestras preventivas com as mães, limpamos as caixas d´água e estamos até mesmo utilizando copos descartáveis”, afirma.

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A doença

A hepatite A atinge o fígado e é transmitida por meio de água e alimentos contaminados com fezes de pessoas infectadas com o vírus. Diferentemente da hepatite B, ela não se torna crônica e, na maioria dos casos, os pacientes são curados. Os principais sintomas são dores no abdome, vômitos e urina escura. A principal medida de prevenção é manter a higiene, principalmente dos banheiros e lavar bem as mãos, as frutas e os legumes antes de se alimentar.

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