Com o período das águas ainda no início, o mato alto não é o pior problema de parte das praças e áreas verdes de Bauru. Por enquanto, o que chama a atenção não é tanto a vegetação, mas o lixo abandonado no local. Copos descartáveis, sacolas, calçados e roupas velhas, preservativos e papéis dos mais variados tamanhos, além de entulhos de construção civil, estão entre os principais detritos dispensados pela própria comunidade.
“Ninguém colabora com nada. O povo passa e joga mesmo. Na praça perto de casa, todos os dias eu tenho de recolher lixo dos outros”, comenta a dona de casa Maria Lúcia Genaro Hashimoto. Moradora do Núcleo Octávio Rasi, ela demonstra indignação com o material deixado em áreas verdes como a situada ao final da rua Lúcio Rúbio Hurtado.
A diarista Maria Regina Sanches também “põe a mão na massa” para usufruir da praça Luiz Mortari, no Jardim Redentor. Ela e moradores próximos varrem trecho da área, cuidam das plantas e dos bancos. Porém, ainda não adotaram a praça. Por enquanto, apenas oito foram acolhidas oficialmente pela comunidade, informa a assessoria de imprensa da prefeitura.
Outras 260 também poderiam ser adotadas, como é o caso da Praça da Copaíba na avenida Getúlio Vargas. Já a idosa Tercília Húngaro Martini, 85 anos, que mora em frente à Praça Palestina, no Jardim América, mensalmente põe a mão no bolso para conservar em bom estado apenas cerca de 100 metros da praça.
Ela paga R$ 15,00 para um jardineiro limpar e podar as árvores. Na opinião dela, o gasto é necessário porque a administração municipal não daria conta de atender todas as demandas.
Equipe
A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) dispõe de apenas uma equipe (com cerca de oito funcionários) para fazer a manutenção de todas as praças da cidade, informa Mariela Chaves de Cerqueira Julião, diretora interina do departamento de zoobotânica da secretaria.
De acordo com ela, os funcionários cumprem um cronograma de trabalho preestabelecido e, simultaneamente, atendem queixas registradas. “Não dá para generalizar, mas a própria população suja e depois reclama”, comenta. O flagrante da prática, porém, é difícil de ocorrer. A reportagem não conseguiu localizar quem poluísse as áreas em visita a dez praças da cidade, situadas em bairros distintos.
Mas por onde passou, não faltou quem ressaltasse as iniciativas pessoais adotadas para compensar as atitudes politicamente incorretas de moradores próximos e a eventual morosidade da prefeitura. “Já reclamamos, mas ninguém resolve. Precisa podar essas árvores altas. À noite, isso aqui é uma escuridão. Teriam de replantar espécies menores”, comenta o tapeceiro José Célio Bincoleto.
Ele explica que, por causa do breu, já flagrou gente usando entorpecente e mantendo relação sexual sob a lua e as árvores de outra praça localizada no Jardim Redentor 3.