São Paulo - Quinze controladores de tráfego aéreo remanejados de outros Estados passam a integrar a escala do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta 1) de Brasília a partir de ontem. Os profissionais estavam em treinamento de adaptação naquela unidade desde a semana passada.
De acordo com a Aeronáutica, o grupo deve ser dispensado apenas depois do efetivo normal do Cindacta 1 receber os até 60 controladores que deverão ser contratados temporariamente, por força de uma medida provisória publicada no “Diário Oficial’’ na última sexta-feira; e os 64 controladores civis que serão selecionados por meio de um concurso público promovido pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero).
O remanejamento de controladores de outros Estados para o Cindacta 1 é parte da força-tarefa elaborada pela Aeronáutica no último dia 2, início do feriado prolongado de Finados, para evitar que o sistema aéreo brasileiro entrasse em colapso. Outra medida adotada para aumentar o número de profissionais em Brasília foi a suspensão de folgas e licenças médicas e a convocação de 11 militares da reserva. Nos dias anteriores à implantação da força-tarefa, cerca de 20 controladores do Cindacta 1 pediram dispensa por problemas psicológicos.
Balanço
A operação-padrão dos controladores de tráfego aéreo causou atrasos em 43% das decolagens no País, entre os dias 26 de outubro e 4 de novembro, segundo balanço divulgado ontem pela Infraero. Das 14.700 decolagens, 5.145 registraram atrasos significativos. De acordo com o balanço da Infraero, 8% dos vôos foram cancelados no período, o que corresponde a 1.176 decolagens.
Os problemas no tráfego aéreo começaram quando os controladores decidiram restabelecer padrões internacionais de segurança à força, motivados pela pressão feita sobre a categoria desde o acidente com o Boeing da Gol que matou 154 pessoas. Na última quinta-feira, feriado de Finados, o tráfego aéreo entrou em colapso e tumultos foram registrados nos aeroportos.
Os terminais ficaram lotados e os atrasos ultrapassaram 20 horas. Para pôr fim aos atrasos generalizados e cancelamentos de vôos, a Aeronáutica chamou reforços e convocou uma força-tarefa. Além disso, já havia anunciado outras medidas, como a proibição da decolagem de pequenos aviões nos horários de pico e o desvio de rotas de aeronaves que sobrevoavam o Distrito Federal.
O esquema preparado pela Aeronáutica para a volta do feriado funcionou e a situação nos aeroportos do País foi tranqüila. De acordo com a Infraero, os atrasos no domingo foram considerados “aceitáveis”. Ontem, o movimento também está normal nos principais aeroportos do País. Para a Infraero, os atrasos são considerados “rotineiros”, de até 15 minutos.