Tribuna do Leitor

Era Finados e a ameixeira chorou...


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Antes, o café da manhã começava às 5h45, fazendo desnecessário o despertador. Agora a passarada acorda às 5h15. Os danadinhos já estão no horário de verão, pensei. No feriado, na cama, fiquei a imaginar o trabalho dos papais maritacas, sabiás e pardais em alimentar os filhos gulosos do ninho, estes com suas asinhas “pidonchas” a implorar pela alimentação. Feliz privilégio ser acordada no século XXI por essa barulhenta dinâmica de carinho, amor e vida. Parece que meus pensamentos antecipavam o nefasto acontecimento. Oh! Pobre ameixeira vítima de capricho senil... mandaram derrubá-la. Chegaram os jardineiros trazendo com eles machados e foices e deram início ao serviço com o vigor que ela própria, a natureza, havia lhes dado, mal agradecidos que eram desferiram golpes e um a um os galhos foram caindo e caindo, demonstrando a irreverência dos homens com a natureza, consigo, com Deus.

Para meu acalanto, quis acreditar na fábula “Velhas árvores cortar e as novas conservar”, quis encontrar um porquê mas não consegui entender a chacina. Foram mais de vinte anos para sua formação desfeitos em minutos de pura desordem da razão e falta de sensibilidade. E a sombra que ficaremos sem? Nesse verão bauruense que enfrentamos, com ares de deserto, a sombra lembrava o oásis por todos merecidos. E os pássaros que perderam seus ninhos? Parecia ouvir-lhes os gritos durante todo aquele dia. Meus olhos se encheram de lágrimas, os do meu pai que a plantou, se vivo, também estariam.

Tudo aconteceu logo após os feriados de finados reforçando para mim a presença da morte. Morreu a ameixeira e a grande creche que ela hospedava. Se os sinos dobram por todos, como disse Ernest Hemingway, que hoje toquem bem alto na esperança de alcançarem o coração e o bom senso daqueles que comentem esses crimes para com a natureza, completamente desnecessários, crimes com esse mundo que é nosso lar e infelizmente o espelho das nossas atitudes.

Aproveitando; não lavem suas calçadas... poupem a água duramente tratada para não ficarmos sem ela. Precisamos respeitar as necessidades que a natureza nos impõe para melhorar a vida dos nossos filhos e netos.

Teresa Moura - RG 21.887.595

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