Internacional

Bagdá aceita recontratar membros de partido do ex-ditador iraquiano

Folhapress
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Bagdá - Na tentativa de desarmar os ânimos da comunidade sunita, com segmentos inconformados pela condenação à morte de Saddam Hussein, a comissão encarregada de expurgar a administração pública de partidários da ditadura deposta anunciou ontem que flexibilizaria seus critérios para a recontratação de cerca de 8.800 sunitas.

A decisão partiu do primeiro-ministro, o xiita Nuri Maliki. Ele havia anunciado em junho um plano em 24 pontos para neutralizar a insurgência sunita. Na prática, dos 10.302 dirigentes do Baath demitidos, só cerca de 1.500 não poderão ser recontratados, por terem exercido funções militares ou de inteligência.

A “desbaathificação” já havia sido em parte flexibilizada pelos americanos, que reintegraram ex-militares a suas patentes.

Os habitantes de Bagdá foram ontem autorizados a deixar suas casas e amanhã poderão circular com seus veículos, pondo fim ao toque de recolher decretado no sábado, na previsão de protestos sunitas ou manifestações de regozijo entre xiitas e curdos com o veredicto anunciado domingo.

Fora da Capital, ocorreram manifestações de apoio ao ex-ditador em bastiões sunitas como Falluja e Samarra. Dois manifestantes pró-Saddam foram mortos pela polícia em Bakuba, enquanto três militares americanos morreram na Província de Anbar e dois outros na queda de um helicóptero ao norte de Bagdá, sem que esteja claro se as vítimas americanas têm ligação com a condenação de Saddam à forca.

Itália, França e Alemanha, mesmo reconhecendo os crimes hediondos da ditadura, disseram se opor à pena de morte e pediram que Saddam não seja enforcado. Por Roma falou o primeiro-ministro, Romano Prodi; por Paris, o chefe da diplomacia local, Philippe Douste-Blazy; e, por Berlim, a chanceler (premiê), Angela Merkel.

O governo britânico, que distribuiu ontem nota de apoio à sentença de morte, recuou hoje por meio do primeiro-ministro Tony Blair. Ele afirmou que seu governo se opõe à pena capital, mesmo reconhecendo a “brutalidade” dos atos do ex-ditador.

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