Nos anos de 1993 a 1996, tive o encargo de presidir o DAE de Bauru. No início de minha administração fui convocado pelo sr. curador do Meio Ambiente para prestar informações sobre o Sistema de Tratamento de Esgoto necessário ao completo saneamento da cidade. Naquele momento fiz ver ao Sr. Promotor que esse assunto era uma prioridade de terceiro nível para o DAE, sendo prioridades maiores o abastecimento de água e o afastamento primário de esgoto (redes coletoras). Informei, entretanto, que pretendia dar andamento à construção de interceptores e emissários, sem os quais não há que se falar em Estação de Tratamento de Esgoto, pois o efluente não chegará lá.
Entendida essa posição pelas partes, decidimos por um acordo verbal, segundo o qual as obras de interceptores teriam continuidade com prioridade de nível 3, e sem que se promovesse qualquer aumento de tarifa para esse fim. Assumi ainda, o compromisso de não efetuar nem permitir que se efetuassem lançamentos de esgoto em córregos ainda não poluídos, e cumpri. A evolução dos serviços seria informada ao Sr. Curador através de relatórios periódicos e pela imprensa. E assim foi.
Ao final de minha gestão, o DAE contabilizava a execução de cerca de 17.000 metros de interceptores no quadriênio, a maioria de médio e grande porte. Vale ressaltar que nos 8 anos após ter deixado a presidência da autarquia, pouco se fez em termos de obras para o Sistema de Tratamento de Esgoto, entretanto, foi firmado acordo formal com a Curadoria do Meio Ambiente que nunca foi cumprido.
Dessa forma, ao início da atual administração, Bauru contava com cerca de 21.000 metros de interceptores prontos, dos quais cerca de 80% (17.000m) foram feitos entre 1993 e 1996. Na época, fundos de vale inteiros foram saneados, como é o caso dos Córregos Barreirinho e Água do Castelo, aos quais dezenas, repito, dezenas de bairros foram interligados.
Fiquei feliz pela atitude do atual presidente do DAE, Sr. Clemente Resende, de retomar a implantação dos interceptores e emissários do Sistema de Tratamento de Esgotos, mesmo que para imprimir um ritmo de obras que satisfaça o acordo firmado com a Curadoria tenha sido necessário o aumento de tarifa. Quero cumprimentar meu amigo Clemente pela coragem e disposição política para enfrentar o problema.
Os fatos relatados acima podem ser comprovados nos arquivos do DAE, e não pretendo com esta manifestação receber louros por meus feitos. A mim me basta a intima satisfação do dever cumprido. Estranho, entretanto, matéria publicada na página 4 do JC de 1º de novembro informando que “pela primeira vez na história de Bauru, todo esgoto de um bairro será levado para um emissário” no caso o pequeno Jardim Iolanda. Prefiro acreditar que se trata de uma imprecisão de redação, pois a assessoria de imprensa do DAE não pode ignorar a história da autarquia. Mesmo que o enfoque seja que a rede o Jardim Iolanda seria a primeira que, ao ser implantada, será imediatamente interligada ao emissário, ofereço como contraponto o caso do bairro Jardim do Sul, que em 1996 teve rede coletora e emissário executados simultaneamente, este último pelo DAE com tubulação de 400mm comprada pelo empreendedor do loteamento.
Não desejo polemizar, e não voltarei ao assunto, mas sinto que um factóide de cunho político, mal redigido, está a obscurecer um passado de realizações de toda uma equipe que ainda atua no DAE, e que tive a honra de liderar por 4 anos.
O autor, Eric-Édir Fabris, é engenheiro civil e ex-presidente do DAE