Geral

Filha encontra o pai depois de 44 anos

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

Crer, buscar e persistir. Depois de 44 anos, a funcionária pública Idalina Francisca Santana finalmente teve, ontem, a oportunidade de abraçar um homem e chamá-lo de pai. Separados aos três meses de vida, ela nutria desde criança o sonho de encontrar seu genitor. Sem desistir, investigou e seguiu, sozinha, as pistas deixadas pelo aposentado Benedito Santana, de 71 anos.

O encontro aconteceu ontem, às 13h30, no Hospital Estadual de Bauru, onde Benedito se encontra em recuperação. “Cresci com esse sonho de encontrar meu pai. Sempre tive em mente que sairia da minha cidade para procurá-lo. É uma alegria que nunca tive na vida. Não dá para explicar”, revela Idalina.

A funcionária pública, que reside na cidade de Taquaritinga, próximo a Ribeirão Preto, foi, por duas vezes, até o cartório onde seus pais se casaram, na cidade de Buenos de Andrada, a poucos quilômetros de Araraquara para conseguir pistas. “Na primeira vez, ele estava fechado. A cidade é pequena e os funcionários estavam em férias. Na segunda, me deram os documentos do divórcio e o remetente era um cartório de Bauru”, revela.

Idalina não teve dúvida. Mesmo sem ter parentes ou conhecidos em Bauru, pegou o ônibus para tentar conseguir mais pistas. Ela chegou anteontem à cidade e o primeiro endereço que procurou foi a Delegacia Seccional de Polícia. “Digo que foi por Deus e pela Jussara (funcionária da delegacia) que consegui encontrá-lo. Disse o nome para ela, que pesquisou no computador e me passou dois endereços onde ele possivelmente teria morado.”

Para não perder tempo, Idalina se dirigiu até o endereço com registro mais antigo. Chegando na quadra 2 da rua Samuel Casali, no Parque Jaraguá, ela bateu palmas, mas ninguém a recebeu. “Fiquei com medo, mas depois de algum tempo uma vizinha saiu e me disse que ele realmente morava ali, mas estava hospitalizado”, conta.

Como a noite estava prestes a cair, Idalina preferiu deixar o encontro para o dia seguinte. Com pouco dinheiro no bolso, ela passou a noite no Albergue Noturno da cidade.

Ontem, ela se dirigiu ao hospital. “Cheguei por volta das 8h, mas só consegui vê-lo cinco horas depois”, conta. Segundo a funcionária pública, ela chegou a pensar que não conseguiria realizar seu sonho. “As assistentes sociais vinham toda hora, pediam documentos, falavam que precisavam da autorização da esposa dele. Acreditei que ela não queria que eu o encontrasse”, revela.

No entanto, foi a própria “madrasta” de Idalina, Neuza Soares de Oliveira, quarta mulher de Benedito, que a conduziu até o quarto do hospital onde o pai estava repousando. “É emocionante. Agora as datas comemorativas terão mais sentido para mim”, revela a funcionária pública, que ontem passou a noite na casa da “nova” família.

Comentários

Comentários