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Trabalho em Pólo Industrial é questionado

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Pirajuí - Uma ex-cooperada da Cooperdata Indústria e Comércio denunciou ao Ministério Público do Estado de São Paulo supostas irregularidades que estariam sendo cometidas no Pólo Industrial de Pirajuí (58 quilômetros de Bauru), pertencente à cooperativa.

De acordo com Luciane Rosa Pinheiro, que trabalhou por seis anos na cooperativa, houve uma assembléia dos cooperados em março deste ano, quando foi votado para que houvesse uma intervenção na Cooperdata Indústria e Comércio. Ela e mais dois cooperados foram nomeados como interventores. “Levantamos e descobrimos todas as denúncias. Usou-se o Pólo o tempo todo para mandar dinheiro para São Paulo. Por isso o pessoal de Pirajuí ficou na penúria que está”, critica.

Segundo Pinheiro, o Pólo Industrial de Pirajuí chegou a ter cerca de 280 cooperados, que trabalhavam na produção de balcões, gôndolas de supermercado e aquecedores e outros produtos. “Eles trabalhavam com remuneração fixa ganhando por hora, tinham de ir lá nos horários normais e dentro de uma cooperativa não pode ter pontualidade”, ressalta Pinheiro.

Em denúncia apresentada ao MP de São Paulo, Pinheiro alega que a Cooperdata comprou o que na época foi nomeado Pólo Industrial de Pirajuí sem autorização. Não Houve assembléia nem convocação de assembléia em tempo hábil. De acordo com a denúncia, a Cooperdata não teria pago ao antigo proprietário pela compra.

Além disso os cooperados seriam subordinados e, dessa forma, descaracterizava o sistema de cooperativa em que todos os trabalhadores eram sócios cooperados, portanto “proprietários” do patrimônio.

A denúncia cita supostos atrasos nas remunerações, já que o faturamento do Pólo ia para a sede da Cooperdata em São Paulo. “O cooperado que produz não vê nada, não pode decidir nada, e hoje está vivendo abaixo da linha da miséria”, consta da denúncia ao MP.

Pinheiro alega que os cooperados nem sabiam que tinham direitos, ou seja, que são donos e parceiros da empresa. De acordo com a denúncia, a cooperativa não estaria recolhendo ao governo o INSS desde setembro de 2005, apesar de descontar de cada cooperado a porcentagem de 11% da remuneração.

“Eles usavam estas pessoas como mão-de-obra. Precisavam de gente para a produção, traziam as pessoas e cooperavam todo mundo”, conta Pinheiro, que mostra-se preocupada com as conseqüências que isso pode acarretar aos cooperados. “Nós vamos acabar respondendo ainda por uma coisa que os cooperados não eram instruídos para tanto, não sabiam nada”, desabafa.

Divergência

Procurada pela reportagem do JC, a presidente da Cooperdata, Maria Dulcelina Vaz da Costa, disse ontem que ainda não foi comunicada pelo MP sobre as denúncias. Apesar disso, Costa está ciente das acusações.

Alega que, após o Pólo Industrial ser adquirido pela Cooperdata, foram encontradas uma série de irregularidades. “Nós compramos o Pólo e nós observamos uma série de irregularidades após a compra, como por exemplo, R$ 3,5 milhões de impostos que não foram pagos em anos anteriores e não foram apontados no balanço quando nós compramos”, defende-se.

Questionada sobre o não-recolhimento do INSS, ela ressalta que são “questões antigas”. “Têm essas questões que são antigas e eu tenho documentação que comprova tudo isso. Eu já tenho uma equipe de advogados trabalhando nesta questão”, diz.

Segundo a presidente, atualmente a cooperativa possui 130 associados. “Neste momento, como nós estamos fazendo a reestruturação e partindo para entrada de novos clientes, estamos funcionando a meio pano, mas está funcionando sim e pertence à Cooperdata, pertence aos cooperados e é patrimônio dos cooperados. É legítimo, ninguém roubou nada, nós compramos”, ressalta.

Ela explicou também que em casos específicos o cooperado pode ser afastado da cooperativa sem que ele peça desligamento. “A demissão é por pedido do cooperado, mas ele pode ser afastado ou eliminado caso aja de modo contrário aos princípios do coletivo e da cooperativa.”

Questionada sobre o desligamento de Pinheiro, que participava da intervenção, Costa afirma que pediu para que ela deixasse as atividades dela na cooperativa. “Ela se ofereceu para ajudar, quando eu fiz intervenção no Pólo e chegou um momento que não era mais necessário a presença dela e pedi a ela que procurasse sair da cooperativa para ver outra atividade e que no Pólo não era mais necessária a atividade dela. Ela se desligou da cooperativa”, argumenta, concluindo que acredita que a Cooperdata está sendo alvo de difamação.

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Precedente

Em setembro deste ano, o juiz José Roberto Dantas Oliva, da 1ª Vara do Trabalho de Presidente Prudente, julgou procedente uma ação civil pública ajuizada pelo procurador Luís Henrique Rafael, do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru, contra a Cooperdata Indústria e Comércio. A entidade foi condenada a abster-se de fornecer mão-de-obra de trabalhadores a terceiros.

O procurador lembrou na época que a sentença, de abrangência nacional, é “um duro golpe contra as cooperativas fraudulentas no Brasil”. A Cooperdata é a maior cooperativa de trabalho do Brasil, com dez unidades e faturamento de mais de R$ 90 milhões por ano.

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