Brasília - Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo sofreu a primeira derrota na tentativa de destrancar a pauta de votação da Câmara dos Deputados. A pauta estava trancada por dez medidas provisórias (MPs). A intenção dos parlamentares da base aliada era votar todas as dez MPs que trancam a pauta da Câmara. Mas só uma foi aprovada ontem: a MP que abre um crédito extraordinário de R$ 698,79 milhões para os Ministérios dos Transportes, do Desenvolvimento Agrário e da Integração Nacional.
A votação da segunda MP -chamada de pacote cambial- foi adiada porque o relator original Carlito Merss (PT-SC) está em viagem ao exterior. O sub-relator, deputado Vignatti (PT-SC), pediu um prazo maior para apresentar o seu parecer. Com isso, a pauta voltou a ser trancada. A expectativa da base aliada é que a votação seja retomada hoje. Mas o governo deve enfrentar dificuldade para votar a terceira MP da pauta: a que trata do reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário mínimo.
A oposição insiste em elevar o reajuste proposto para 16,6%. O governo só aceita conceder 5,01%. Nos bastidores, os parlamentares dizem que a votação da segunda MP - pacote cambial - foi adiada porque o governo quer ganhar tempo para construir maioria e conseguir votar a MP do reajuste dos aposentados. Para o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), o resultado de hoje não foi um “fracasso”. “Avançamos com a votação de uma MP. Para mim, é impossível é uma palavra estúpida.”
O vice-líder do governo da Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS), diz que sai frustrado da sessão, pois esperava que as votações avançassem. “Acho que tinha que avançar para limpar a pauta. O Parlamento não foi feito para construir consenso, mas para ganhar a maioria.” Segundo ele, este é um teste para saber quem está do lado do governo Lula. “A semana é boa para ver quem é governo e quem é oposição.” De manhã, os parlamentares da base aliada diziam que tentariam votar todas as MPs mesmo sem acordo com a oposição.
“Está todo mundo imbuído em destrancar a pauta. A MP dos aposentados já foi discutida. Tem uma ata assinada por todos os sindicatos da categoria em que estão de acordo com os 5%. O que tiver dúvida vai para o voto”, disse na manhã de ontem o líder do PP na Câmara, deputado Mário Negromonte (BA). O líder do PSB na Câmara, deputado Alexandre Cardoso (RJ), chegou a dizer que apostava no bom senso da oposição. “Nós vamos enfrentar, podemos perder ou ganhar.”