Internacional

Americanos têm problemas com urnas

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Washington - Problemas técnicos em urnas eletrônicas de centenas de postos eleitorais e inexperiência dos funcionários do governo atrasaram eleitores de alguns Estados dos EUA e obrigaram outros a utilizarem cédulas de papel nas eleições legislativas americanas de ontem. Cerca de 200 milhões de eleitores estavam aptos para ir às urnas na votação, que irá renovar toda a Câmara dos Representantes (deputados), um terço do Senado e 36 governadores dos 50 Estados do país. O voto nos EUA não é obrigatório.

Nos Estados de Indiana e de Ohio, os problemas com as urnas causaram atrasos. Em Ohio, os eleitores tiveram que abandonar o sistema eletrônico e recorrer às antigas cédulas de papel. Em Cleveland (Ohio), a demora devido a problemas técnicos irritou eleitores, enquanto funcionários dos postos tentavam sem sucesso fazer as urnas funcionarem. “Temos cinco urnas, uma delas terá que funcionar”, disse Willette Scullank, do Condado de Cuyahoga, que trabalhava em um dos postos de votação da cidade.

No Condado de Marion, no Indiana, em cerca de 175 dos 914 postos eleitorais, os votos tiveram que ser registrados em cédulas de papel devido à inexperiência dos funcionários do governo, segundo a representante do Condado, Doris Ann Sadler.

No Condado de Delaware, autoridades estudavam pedir uma autorização judicial para estender o período de votação, depois que um erro no sistema eletrônico impediu que eleitores de 75 postos registrassem seus votos. Segundo Karen Wenger, representante do Condado, os cartões que deveriam ser usados para ativar as urnas foram programados incorretamente.

Em Maryland, autoridades eleitorais se esqueceram de enviar a alguns postos de votação os cartões que ativam as urnas, o que impossibilitou o uso dos equipamentos.

O sistema eletrônico foi adotado após as dificuldades enfrentadas na votação de 2000. Naquele ano, problemas com a leitura das cédulas de votação na Flórida ajudaram a alimentar uma disputa de cinco semanas em torno da recontagem dos votos, e foi preciso que a Suprema Corte dos EUA concedesse a vitória ao republicano George W. Bush para a Presidência.

Neste ano, no entanto, a secretária do Estado, Sue Cobb, disse não esperar problemas graves com o uso do sistema eletrônico. “A história mostrou que as urnas eletrônicas são muito mais eficazes e seguras que o papel, e estamos bastante confiantes nisso”, afirmou.

A nova lei permitiu a instalação de máquinas de votação eletrônica, sem no entanto abrir mão de um sistema de apoio com cédulas de papel. Neste ano, a previsão era que mais de 80% dos eleitores usassem urnas eletrônicas. Um terço dos distritos eleitorais deveria utilizar a tecnologia eletrônica pela primeira vez. É possível também votar pelo correio.

Os primeiros centros de votação para as eleições legislativas e locais nos Estados Unidos abriram suas portas nos Estados da Nova Inglaterra. Como é tradicional, os primeiros a poder votar foram os cidadãos de Vermont, onde os colégios abrem a partir das 5h (8h de Brasília). Os primeiros fechamentos de colégios começarão a acontecer por volta das 21h de Brasília, em Indiana e Kentucky.

A votação só seria dada como encerrada por volta das 3h (horário de Brasília) de hoje, hora prevista para o fechamento dos últimos colégios, no Alasca. Não há previsão para a divulgação dos resultados finais da votação.

Atualmente liderado por uma maioria republicana, o Congresso pode passar para o controle do Partido Democrata após as eleições. Desde 1994, os republicanos controlam as duas casas, à exceção de um breve período em que os democratas lideraram o Senado.

Na Câmara dos Representantes, os democratas precisam conquistar mais 15 vagas para se tornarem maioria; no Senado, eles precisam ganhar 24 das 33 vagas em disputa para passarem à frente dos republicanos. Dos senadores que deixam suas vagas, 17 são democratas, 15 são republicanos e um é independente.

Nos Estados também há uma disputa entre os dois partidos. Atualmente, os republicanos governam 28 dos 50 Estados americanos, enquanto os democratas governam 22. Dos 36 Estados em disputa, os democratas conseguirão ser maioria entre governadores se conquistarem quatro postos a mais do que já possuem hoje.

A liderança dos Estados é vista como importante arma para os candidatos que disputarão a Presidência americana em 2008, já que os governadores ajudam a arrecadar fundos e conquistar eleitores.

Iraque

Segundo especialistas, o principal motivo do favoritismo democrata é o conflito no Iraque, que causou queda na popularidade do presidente republicano George W. Bush. No domingo, há apenas dois dias da votação, o Tribunal Penal Iraquiano condenou o ex-ditador Saddam Hussein à forca pelas mortes de 148 xiitas em Dujail (norte do Iraque), em 1982. A decisão foi vista por críticos nos EUA como uma tentativa republicana de aumentar a popularidade do partido entre os eleitores.

De acordo com o cientista político Matthew Crenson, 63 anos, professor de desenvolvimento político americano da Johns Hopkins University (EUA), está correta a sensação de que a Guerra do Iraque é o ponto que definirá o voto dos eleitores americanos em 2006. “As pessoas estão muito desencorajadas, e mesmo bravas, com o que está acontecendo no Iraque. E isso vai mesmo prejudicar os republicanos no Congresso. Parece bem provável que os democratas vão tomar o controle da Câmara dos Representantes, e um também - pouco menos talvez - no Senado”, avalia.

Comentários

Comentários