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Dr. Automóvel: Verdades e mentiras sobre a manutenção dos flex

Consultor: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 3 min

Tem perguntas que surgem do nada e acabam se generalizando como se fossem grandes questões universais. Pessoas acabam criando dúvidas sobre certos pontos sem fazer uma análise prévia, muitas vezes sem necessidade.

Uma destas dúvidas que me tem chegado através da coluna é sobre qual a manutenção ideal que se deve fazer com os motores flex. Ou melhor, qual a diferença entre a manutenção de um motor convencional monocombustível e um flex? Resposta: nenhuma! É isso mesmo, não precisa fazer nada de mais além do que já se faz com um motor convencional.

Um motor flex tem o mesmo conceito funcional de um motor monocombustível. Apenas tem mais sensores e um sistema de gerenciamento eletrônico mais sofisticado. Fora isso, tem que trocar o óleo lubrificante nos mesmos períodos indicados no manual do proprietário, assim como os filtros de óleo, ar e combustível. As velas devem ser inspecionadas e substituídas com a mesma regularidade, enfim, sob todos os aspectos de manutenção, são motores iguais.

Nos motores flex existe um reservatório gasolina para partida a frio, idêntico ao dos motores a álcool convencionais. Uma manutenção regular pede para ambos os motores que se substitua regularmente a gasolina deste reservatório, pois com o tempo e a temperatura alta alguns hidrocarbonetos da sua composição acabam se evaporando e deixam um composto mais viscoso e menos inflamável que, em casos extremos, fica uma goma ou verniz que acaba entupindo os dutos.

Mas quase ninguém faz esta manutenção. Como a partida a frio só é acionada em dias frios, em nosso clima podemos passar meses sem acioná-la. Sendo assim, a gasolina poderá se deteriorar. Quando formos precisar dela para uma partida a frio, o sistema poderá estar entupido. Mas pouquíssimas pessoas fazem esta manutenção periódica. E que deveria ser feita para todos os carros a álcool, não apenas os flex.

Sempre bato na mesma tecla para que se leia o manual do proprietário. É que cada fabricante tem uma tecnologia e componentes específicos, que podem demandar uma manutenção diferente. É o caso das velas de ignição, por exemplo. Existem velas que devem ser trocadas a cada 20 mil quilômetros, outras duram até 60 mil quilômetros. É claro que o sistema de ignição eletrônico influi, assim como a qualidade e preço idem. Então, não se pode padronizar um período válido comum para todos os modelos de carros.

Outro ponto comum de dúvida infundada é a da necessidade de se usar outro combustível, variando de vez em quando para ir “acostumando” o motor flex. A eletrônica é sensível, mas não temperamental, e o motor entende bem a escolha que se faz e foi projetado para trabalhar 99% do tempo com um único combustível e, se necessário, variar a regulagem.

Com relação a custos, a manutenção de um motor Flex é praticamente a mesma do que um motor convencional equivalente. Como a parte mecânica do motor é muito semelhante, o que realmente difere no Flex é a parte eletrônica de gerenciamento, incluindo aí a central, chicotes e sensores. São itens difíceis de dar problemas e de necessitar de troca. Mas se tiverem que ser trocados, o preço não diferirá muito dos outros.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet. com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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