O Hemonúcleo de Bauru entrou em estado de alerta. O número de doadores vem diminuindo nas últimas três semanas. Com estoque abaixo do ideal, uma cirurgia marcada para hoje foi cancelada em virtude da escassez de sangue. A intenção é economizar bolsas e utilizá-las em intervenções de emergência. Se os níveis não melhorarem, a situação pode se tornar crítica.
De acordo com o chefe do Hemonúcleo, Marcos Roberto Turatti, o número de doadores vem decrescendo nos últimos 20 dias. “Percebemos que houve uma queda gradativa. Normalmente, coletávamos cerca de 70 bolsas de sangue diariamente. Hoje trabalhamos com um número mais baixo, em média 50 doadores diários”, revela.
O sangue com estoque mais baixo é o O negativo, considerado doador universal, porque é aceito, sem reação, por qualquer pessoa, independente do fator rh e do tipo sangüíneo. “Trabalhamos com uma reserva diária de 10 bolsas, hoje. No entanto, segundo nosso levantamentos o ideal é que esse número chegue a 40 bolsas”, afirma Turatti.
Em virtude da escassez de sangue, cirurgias eletivas (pré-agendadas e sem urgência), correm o risco de serem preteridas, ao dar prioridade àquelas de emergência. A medida, considerada extrema, tem o intuito de equilibrar os estoques.
Um paciente com queimaduras seria operado hoje pela manhã no Hospital Estadual. No entanto, segundo a assessoria de imprensa do hospital, a intervenção foi cancelada devido à falta de sangue. Já a assessoria de imprensa do Hospital de Base, Hospital Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel afirma que ainda não houve necessidade de cancelar cirurgias em virtude do baixo estoque de sangue. Porém, não é descartada a hipótese de que isso venha acontecer, caso a situação não se estabilize nos próximos dias.
O Hemonúcleo passa por maiores dificuldades durante o inverno e no período de festas de final de ano, segundo Turatti. “O clima frio inibe as pessoas, que evitam sair de casa. Além disso, durante esse período são registrados aumentos no número de doadores com infecções na vias aéreas, o que impede a coleta de sangue. Já no final do ano, os estoques abaixam porque registramos aumento na demanda de transfusões de emergência, motivadas pelo excesso de acidentes nas rodovias”, explica.
Em Bauru, em média são realizadas, diariamente, cerca de quatro cirurgias cardíacas, que demandam grande quantidade de sangue. No entanto, o estoque do Hemonúcleo não é utilizado apenas nesse tipo de intervenção. “Todo paciente que passa por uma cirurgia de grande porte, seja ela ortopédica, traumática ou em decorrência de acidentes, necessita de sangue. Isso sem contar aqueles acometidos por doenças crônicas, como leucemia e insuficiência renal, que precisam de transfusões periódicas”, destaca o chefe do Hemonúcleo, que indica o medo e a falta de informação como entraves para o aumento no número de doadores.
Rede pública
De acordo com Turatti, o Hemonúcleo de Bauru, além de atender todos os hospitais públicos da cidade, também é responsável pelo abastecimento de sangue nos 38 municípios sob a jurisdição da Direção Regional de Saúde (DIR-10), como Pederneiras, Macatuba, Duartina e Pirajuí, por exemplo. Hoje existem 75 mil doadores registrados no Hemonúcleo. Anualmente, são coletadas 15 mil bolsas de sangue, cerca de 1.400 doadores mensais.
Em 2005, o período de final de ano foi atípico para o Hemonúcleo. No início de dezembro, o órgão implementou uma campanha, convocando os doadores regulares de sangue. A medida surtiu efeito e garantiu estoque para a época das festas, quando normalmente faltam voluntários e cirurgias são canceladas. A média chegou a 70 doadores por dia.
O Hemonúcleo fica na rua Monsenhor Claro, 8-88, e funciona de segunda à sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 14h às 16h.