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Demora para internação no HE provoca mais reclamação

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A demora na liberação de vagas de internação para pacientes que chegam nas unidades de urgência e emergência de Bauru voltou ontem a mobilizar médicos e familiares de assistidos. Com a mãe aguardando desde domingo leito na unidade de tratamento intensivo (UTI) do Hospital Estadual (HE), Cleide Guedes de Campos recorreu ao Ministério Público (MP) para tentar resolver o problema.

“Dizem que não tem vaga, mas ela não tem condições de ficar aqui”, explica a filha. Aos 67 anos, Elice da Silva Campos sofreu um derrame e foi socorrida em coma ao Pronto-Socorro do Jardim Bela Vista, de onde foi transferida, no mesmo dia, para o PS Central. “Transferiu porque não tinha vaga no Estadual”, reitera Cleide.

A dificuldade em se conseguir vagas no HE é confirmada pelo médico do PS Central Alexandre Sabino Neto. De acordo com ele, alguns pacientes chegam a aguardar até 15 dias pela oportunidade. Diante do quadro, Neto não descarta a possibilidade do HE estar dificultando as internações como estratégia para incorporar o PSC. “Seria uma maneira de aumentar o orçamento deles”, diz.

No entanto, a administração municipal nega a possibilidade. Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, no início da gestão de Tuga Angerami (sem partido), discutiu-se a viabilidade da construção de um PS ao lado do Estadual. O órgão também confirma que a hipótese do HE apoiar os atendimentos no pronto-socorro já foi aventada. As propostas, porém, não saíram do campo verbal e foram abandonadas, destaca a assessoria.

A dificuldade nas internações, portanto, tem relação direta com a capacidade de atendimento no HE, explica o diretor do Departamento de Urgência e Emergência, José Roberto Berber.

“Lógico que estou do lado de cá e quero que o paciente seja transferido, mas temos de entender. Se tem dez vagas na UTI, com dez respiradores e dez pessoas, como vão colocar mais uma?”, questiona o médico.

Berber ressalta que o HE tem demonstrado boa vontade ao atender a demanda, tanto que instalou no hospital uma espécie de enfermaria com alguns leitos de UTI. “É a forma que encontraram para tirar o paciente daqui. O Hospital de Base (HB) tem leito para traumas. A cada dez pacientes, oito são de clínica e vão para o HE, dois vão para o HB”, acrescenta o diretor do departamento.

No entanto, ele defende que outros hospitais sejam credenciados pelo Estado. A Secretaria do Estado da Saúde, no entanto, informa, via assessoria de imprensa, que o eventual credenciamento deve ser solicitado ao Ministério da Saúde pelo próprio HE.

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