A aparente calma no rosto da dona de casa Elisângela Rosa de Oliveira, 25 anos, esconde o crime do qual ela é acusada confessa: matar os dois filhos, de 6 anos e 1 ano e 4 meses, com uma lixadeira elétrica. Ao ser presa em Bauru na madrugada de ontem, ela confessou que cometeu o crime em sua casa, em Jundiaí, anteontem à tarde. Em seguida, fugiu de ônibus para Bauru. Ela passou a noite na rodoviária e, por volta das 5h15, foi detida na rodoviária de Bauru.
Policiais militares da Base Leste receberam a informação de que Elisângela estava vindo para Bauru. A irmã dela informou a roupa e a aparência física da dona de casa. Ela mesmo teria ligado para a irmã e afirmado que não estava sendo reconhecida pelos policiais em Bauru. Ao ser abordada pelos policiais, Elisângela apresentou o RG onde consta seu nome de solteira, com outro sobrenome, na tentativa de confundi-los.
Mesmo assim, foi levada para o Plantão da Polícia Civil para prestar depoimento. Lá, ela confessou o crime e disse como tudo aconteceu. Ela contou que buscou os dois filhos, Vinícius de Paula Oliveira, de 6 anos, e Thais Rosa de Oliveira, de 1 ano e 4 meses, na escola, por volta do meio-dia de anteontem.
Ao chegar em casa, almoçou junto com as crianças e enquanto elas brincavam no quarto do casal, por volta das 13h30, foi até a garagem da casa, onde o marido tem uma serralheria. Elisângela relatou que pegou uma lixadeira elétrica e entrou novamente no quarto. Ligou o aparelho na tomada e foi em direção ao garoto, degolando-o. Depois, fez um corte profundo na garganta da filha.
Elisângela teria ligado o rádio em volume alto para disfarçar o barulho da lixadeira. Logo depois de cometer o crime, ela tomou banho, pegou a bolsa e saiu de casa. Mais tarde, quando voltou do trabalho, o marido da dona de casa, Gilmar de Paula Oliveira, 31 anos, encontrou as crianças mortas. Conseguiu chamar a polícia antes de entrar em estado de choque.
Ele foi internado, mas recebe alta a tempo de ir ao velório. As crianças foram enterradas ontem, em Jundiaí. Após o crime, Elisângela foi até a rodoviária de Jundiaí e pegou um ônibus para Campinas. Chegou à cidade por volta das 17h de anteontem e, sem motivo aparente, resolveu seguir para Bauru, onde desembarcou por volta das 20h.
A dona de casa disse que iria voltar para Jundiaí, mas antes que isso acontecesse foi localizada pelos policiais em Bauru. Quando questionada sobre o porquê ter escolhido Bauru para a fuga, foi pouco clara. “Tive vontade”, disse. Disse que parentes do marido moravam nesta região, em Lucianópolis, e que veio passear em Bauru no ano passado, mas não contou onde foi.
Em nenhum momento Elisângela disse o motivo do crime. Falou que, às vezes, brigava com o marido, mas não tinha problemas com as crianças. Ela limitou-se a falar que seguiu sua vontade e que foi a primeira vez que teve esse impulso. Ela negou consumir drogas ou bebida alcóolica. Afirmou que freqüentava uma igreja evangélica. Sem expressar emoção, apenas falou que se arrependeu do crime e que, se possível, voltaria atrás e não mataria os filhos.
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Investigações
O inquérito da morte das duas crianças será conduzido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Jundiaí, para onde Elisângela Rosa de Oliveira foi encaminhada ontem mesmo, escoltada por policiais. Lá, ela recebeu voz de prisão e ficará detida até seu julgamento.
O delegado seccional de Bauru, Doniseti José Pinezi, adiantou que a dona de casa irá responder por duplo homicídio triplamente qualificado e, se condenada, poderá cumprir pena de 30 a 40 anos. “Os agravantes do crime são o fato do motivo ser fútil. Além disso, as vítimas não tiveram como se defender. Outra agravante é que as crianças são seus filhos, ou seja, descendentes”, explica.
Pinezi, em 25 anos como delegado da Polícia Civil, não viu crime parecido. “Já vi crimes de filhos matando os pais. Mas, dessa maneira, nunca tinha visto”, afirma.