Tribuna do Leitor

A ameaça às áreas de preservação ambiental


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Há algumas semanas este jornal publicou uma matéria falando do déficit de árvores na área urbana de Bauru, uma triste realidade nestes tempos de aquecimento global, com um sol capaz de maltratar qualquer um que se desloque pelas ruas da cidade, além dos problemas mais sérios que isso representa para o nosso meio ambiente. Diante de uma constatação importante e preocupante como essa, o que se esperava talvez era uma iniciativa dos poderes públicos no sentido de promover, além do plantio de árvores, a educação da população no tocante à consciência ecológica: mostrar às pessoas que, tão importante quanto lutar pela preservação da floresta amazônica, também é cuidar da arborização nas ruas; ensinar os cidadãos a tratarem com respeito as árvores, e não vê-las como uma propriedade, da qual podem se desfazer quando bem entenderem.

A expectativa era essa, mas qual não foi a surpresa quando vimos, algumas semanas depois, outra matéria expondo um interesse de alguns vereadores em eliminar Áreas de Preservação Ambiental, alegando para isso que a proteção dessas áreas prejudica a expansão e o desenvolvimento do município. Alguns argumentos apresentados, inclusive, eram muito parecidos com os de alguns parlamentares em Brasília que queriam restringir a proteção à floresta amazônica.

A interessante matéria com a arquiteta Maria Helena Rigitano, publicada na seqüência, foi muito instrutiva, muito esclarecedora quanto ao assunto e simplesmente pôs por terra todos os argumentos dos vereadores que querem acabar com as APAs. De forma bastante clara, e com uma linguagem simples, a arquiteta mostrou que o que pode realmente “engessar” a cidade é a colocação de interesses individuais - ou de pequenos grupos - na frente do interesse coletivo, e esclareceu ainda que a preservação de tais áreas não representa tão somente uma atitude bonita, moderna, mas sim um procedimento que visa a garantir a vida e o futuro de nossa cidade, nossa casa.

Talvez seja mesmo - sem nenhuma conotação negativa - uma questão de educação, de consciência. O déficit de árvores e o risco às Áreas de Preservação definitivamente não fazem parte do perfil de uma cidade que quer se desenvolver, ser um modelo para o Estado e para os seus moradores. Uma boa amostra disso é a praça central: cortaram as árvores, deixando apenas algumas em meio a um enorme descampado, uma área pelada, ao sol, com bem pouca sombra. Parece que não querem que as pessoas vão à praça!

Há, sim, quem se preocupa com o meio ambiente e sabe o que isso representa, prova disso foi a votação expressiva que teve o vereador Rodrigo Agostinho, que também se manifestou em apoio às Áreas de Preservação e cuja atuação é acompanhada com interesse por seus eleitores. Precisamos de pessoas que protejam a nossa cidade.

Mauro César Pereira - professor - RG 13.913.866-3

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