Quem costuma assistir às minisséries globais conhece pelo menos em parte a história de dois líderes revolucionários famosos no Rio Grande do Sul. Entre eles, Bento Gonçalves e Garibaldi, que emprestam seus nomes às cidades charmosas do Vale dos Vinhedos.
O gaúcho Bento Gonçalves fez parte do Exército brasileiro até que, como coronel, rebelou-se contra a cobrança de impostos elevados sobre o charque produzido no Rio Grande do Sul. Acabou sendo preso no Rio de Janeiro, mas mesmo assim foi nomeado presidente da República Rio-grandense (lembra-se da Revolução Farroupilha?).
Já Giuseppe Garibaldi nasceu em julho de 1807, na cidade francesa de Nice, e acabou fugindo para o Brasil (primeiro para o Rio de Janeiro, depois para o Rio Grande do Sul) por ter sido condenado à morte em seu país, onde pregava a unificação. Aderiu à Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, a mais longa e violenta guerra civil ocorrida até hoje no Brasil, depois de visitar Bento Gonçalves na prisão. Logo em seguida se apaixonou por Anita Garibaldi, outra revolucionária, nascida em solo catarinense, considerada uma mulher de fibra.
Assim como os dois amigos próximos, as duas cidades ficam perto, distanciando mais ou menos uma hora de Caxias do Sul.
Se Bento Gonçalves e Caxias do Sul se destacam como grandes produtores de vinho tinto e branco, Garibaldi é a terra dos espumantes. Na região funcionam várias vinícolas que produzem a bebida festiva, incluindo a Chandon do Brasil (filial da francesa Maison Moët & Chandon).
Para chegar até elas o visitante vai passar por paisagens espetaculares. Ao Norte de Bento Gonçalves, por exemplo, a caminho de Antonio Prado, por mirantes e penhascos que se descortinam sobre o rio das Antas. Depois de cruzar estradinhas secundárias, chega-se a cidadezinha que serviu de cenário para o filme O Quatrilho, em 1995, considerado maior complexo arquitetônico da imigração italiana no Brasil.
Fazem parte do complexo, 48 casarões coloridos, muitos de madeira, distribuídos pela praça central e tombados pelo patrimônio Histórico Nacional. O Vale dos Vinhedos é também especial para quem quer conhecer a história dos imigrantes italianos que conseguiram produzir os melhores vinhos brasileiros, lançando mão das condições climáticas e dos terrenos pedregosos da região, e uma gastronomia ímpar.
Tanto assim que no município de Garibaldi foi criada uma rota gastronômica denominada Estrada do Sabor que oferece ao visitante a oportunidade de compartilhar a mesa com os moradores da zona rural e acompanhar a produção de produtos típicos como os salames e os queijos; colher uvas nos parreirais; aprender mais sobre a prensagem das uvas para a extração do mosto, a primeira fase da produção do vinho ou simplesmente aguardar nas cantinas a polenta com molho e galeto ficar pronta.
Lá, a polenta, originária do Vêneto, na Itália, é oferecida grelhada, assada, frita, mais mole ou mais dura, quente ou fria.
Em Bento Gonçalves, o roteiro turístico Caminhos de Pedra é o que mais atrai os visitantes. Trata-se de uma estrada que passa pelas casas dos primeiros imigrantes italianos do País e que estão, na maioria, abertas ao público ou foram transformadas em cantinas onde pratica-se a melhor cozinha das “nonnas”, com direito aos capelettis fresquinhos. Essas casas, construídas de pedra ou madeira, ficam no distrito de São Pedro e foram restauradas para receber atualmente uma média anual de 50 mil turistas.
Visite as cidades sem pressa e conheça entre outros pontos, o Restaurante Nonna Lucia, a Casa da Ovelha, a Casa das Massas e Tecelagem, a Cantina Strapazzon e a Casa da Erva-Mate.
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• Casa Bertarello
A casa de pedra foi construída em 1880 pelo imigrante Giuseppe dall’Acqua. Em 1930 foi rebocada, perdendo suas características originais, e em 1984 restaurada pelo projeto cultural Caminhos de Pedra. Lá há um umbu centenário, cujo tronco e raízes formam uma pequena gruta.
Na casa peça polenta, galeto, salada de radicci, espaguete e outras delícias da “nonna”.
• Casa da Ovelha
A Casa da Ovelha fica num sobrado de madeira construído em 1917. Abriga uma criação de ovelhas Lacaune, originárias da França, aberta à visitação.
• Casa de Massas e Tecelagem
A casa também foi restaurada e hoje abriga uma casa de massas, onde os visitantes podem observar as senhoras preparando espaguete, capeletti, tortelli etc.
No porão funciona a Casa da Tecelagem, onde há uma produção manual de tecidos (mantas e tapetes).
• Cantina Strapazzon
A casa foi construída em 1880 em pedras irregulares e serviu para as cenas do filme “O Quatrilho”. Outra construção dentro da propriedade funciona como cantina e no porão da residência da família Strapazzon. Os visitantes podem participar de degustação de produtos coloniais, como salames, copa, queijos, suco de uva, grapa e vinho.
• Casa da Erva-Mate
Funciona ao lado de um pequeno riacho cujas águas fazem girar a roda de um moinho que, através de força mecânica, ativa um pilão que mói a erva-mate para o chimarrão.
Lá pode-se tomar chimarrão e comprar cuias e ervas.
• Centro budista tibetano
Repleta de belezas naturais, a cidade de Três Coroas, distante cerca de 100 quilômetros de Porto Alegre, é parada obrigatória quando se fala em turismo.
Além de oferecer atrativos artísticos culturais, a cidade destaca-se também pela realização de vários esportes radicais como canoagem, rafting, cicloturismo, caminhadas ecológicas, tirolesa, cachoeirismo, rappel, e é conhecida por realizar competições em nível nacional e internacional.
Todos esses atrativos serão apresentados no 18º Festival do Turismo de Gramado, que será realizado de 16 a 19 de novembro, no Serra Park, em Gramado (RS).
Três Coroas também se destaca no segmento de turismo religioso e cultural, sendo conhecida internacionalmente pelo principal centro budista tibetano da América do Sul.
O Centro Budista Chagdud Khadro Ling é uma das jóias preciosas de Três Coroas. Inspirado na cultura tibetana, o Centro está localizado em um lugar privilegiado, com uma paisagem inspiradora, que transmite imensa paz aos visitantes.
Khadro Ling foi fundado pelo mestre Chagdudu Tulku Rimpoche, um grande mestre do budismo tibetano, reconhecido por sua imensa realização espiritual, sabedoria e compaixão.
Ao construir o Khadro Ling, ele sempre expressou a intenção de que o local não fosse somente propício para a prática do budismo tibetano, mas também um ambiente em que todas as pessoas, independente de quaisquer crenças religiosas, pudessem encontrar paz, tranqüilidade e bem-estar.
Para os apreciadores da cultura, a cidade oferece ainda um passeio ao Museu Armindo Lauffer, que resgata a história da cidade através de objetos e documentos. O acervo foi coletado pelo historiador local Armindo Lauffer e é um dos mais completos do Rio Grande do Sul, no que se refere à colonização européia.