Regional

Residentes fazem greve de pressão

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Botucatu - Uma queda de braço entre médicos residentes e o governo federal e que se arrasta há alguns meses pode causar transtornos a partir de segunda-feira para quem procurar atendimento no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, e no HC mantido pela Famema, em Marília.

Os 324 médicos residentes que atendem no HC de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) garantem que vão entrar em greve por tempo indeterminado, reivindicando o reajuste da bolsa residência que recebem mensalmente.

Mesma posição foi tomada pelos 108 residentes que atuam no HC, no Materno-Infantil e no ambulatório Mário Covas em Marília. A greve é nacional. Apenas no Estado de São Paulo são 4.912 médicos residentes que vão paralisar suas atividades.

A presidente da Associação dos Médicos Residentes (AMRB) em Botucatu, Érica Vasques Trench, revelou ontem que a greve é uma forma de pressionar o governo Lula a enviar um projeto de lei ao Congresso com 30% de reajuste do auxílio. Remetido ao parlamento federal, o projeto poderia ser aprovado ainda nesta legislatura e passaria a vigorar já no ano que vem.

Ela explica que as negociações não andaram mesmo após a paralisação do último dia 24 de agosto, em que parte dos residentes do HC se revezaram reivindicando o reajuste, cumprimento de jornada de trabalho e melhores condições para a residência médica.

Os médicos residentes reivindicam reajuste de 53,7% sobre o valor da bolsa auxílio estipulada, hoje, em cerca de R$ 1.459,00, valor-base para todas as regiões do País.

Trench esclarece que esse índice iria repor a inflação acumulada nos últimos cinco anos. No entanto, o Ministério acenou, há cerca de três meses, em conceder 30% de reajuste. “Mas não é nada certo”, pondera Trench.

Além do aumento na bolsa, os residentes reivindicam cumprimento das 60 horas semanais. Trench alega que há casos de médicos residentes cumprindo jornadas de até 110 horas semanais, sem folgar após os plantões, o que também está sendo exigido na pauta de negociações.

Segundo a representante da AMRB, o atendimento no HC será mantido apenas para casos de urgência e emergência. Em Botucatu, os residentes representam 70% do corpo médico que atende na unidade.

Na paralisação de agosto, houve transtorno aos pacientes com remarcação de consultas nos ambulatórios. O atendimento não foi totalmente interrompido com rodízio de trabalho dos médicos residentes. O HC da Unesp de Botucatu realiza 1.100 consultas/dia nos ambulatórios. O pronto-socorro atende diariamente entre 400 a 500 pacientes.

A residência médica é uma especialização para o profissional da saúde. Ele pode atuar tanto em hospitais mantidos por universidades quanto em instituições hospitalares que tenham o programa de residência médica.

Apoio

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) se posicionou ontem favoravelmente ao movimento grevista dos médicos residentes. A posição foi divulgada após uma sessão plenária dos membros da entidade de classe.

Além de apoiar as reivindicações dos residentes, incluindo o reajuste do valor da bolsa, o Cremesp chama a atenção para a necessidade de garantia do atendimento das situações de urgências e emergências nos hospitais.

“O Cremesp espera que a condução do processo reivindicatório considere os princípios éticos que regem a relação entre médico e paciente, garanta o respeito à vida e à saúde do ser humano e zele pelo perfeito desempenho ético e bom conceito da profissão. Esperamos que as autoridades competentes sejam sensíveis à concessão dos direitos pleiteados, evitando assim eventuais prejuízos à população assistida. Alertamos os colegas que participam do movimento sobre a necessidade do cumprimento do Código de Ética Médica, no que diz respeito à garantia do atendimento das urgências e emergências nos locais de trabalho”.

Comentários

Comentários