A Epidemiologia Geral avalia a saúde e qualidade de vida de uma população, às vezes, usando índices econômicos vindos da economia e, às vezes, índices próprios da epidemiologia.
Nesta última eleição, em Barra Bonita, Lula perdeu com 7.731 votos (34,19%) e Alckmin ganhou 14.884 votos (65,81%). Do outro lado do rio, em Igaraçu do Tietê, Lula ganhou com 7.389 votos, (55, 89%) e Alckmin perdeu com 6.021 votos (44,11%). A renda per capita de Barra Bonita é R$ 371,24 e a renda per capita de Igaraçu é R$ 250,55.
Em Lençóis Paulista, Lula perdeu com 11.851 votos (36,21%) e Alckmin ganhou com 20.878 votos (63,79%), quase o dobro, enquanto em Pederneiras, Lula ganhou com 11.750 votos (54.24%) e Alckmin perdeu com 9.912 votos (45.76%). O orçamento da prefeitura de Lençóis Paulista é R$ 64 milhões para uma população de 65 mil habitantes e o orçamento da prefeitura de Pederneiras é de R$ 25 milhões para 40 mil habitantes. A renda per capita de Lençóis Paulista é R$ 349,86, e a de Pederneiras, R$ 262,84. Esta, Pederneiras, precisaria ter um orçamento de R$ 36 milhões para ter o índice de desenvolvimento humano daquela, Lençóis Paulista. Em Macatuba, renda per capita R$ 250,55, Lula ganhou com 54% dos votos e nos grandes centros urbanos, perto dessas cidades, Bauru, Botucatu e Jaú, rendas per capita, respectivamente, R$ 500,27, R$ 426,18 e R$ 401,56, Alckmin ganhou com 65% dos votos. Esses dados sobre renda per capita são da Confederação Nacional de Municípios, CNM, e se encontram no seu site.
Segundo Thimothy Powers, brazilianista inglês, da Universidade de Oxford, Lula ganhou não por causa do impacto da Bolsa Família, ou aumento da venda do comércio, mesmo em cidades mais pobres. Nem, mesmo, por causa das bolsas universitárias que foram dadas para os jovens. Ganhou, sim, onde é maior o índice de exclusão social, enquanto Alckmin ganhou onde é menor o índice de exclusão social. O índice de exclusão social, indicador desenvolvido pelos economistas Márcio Pochmann e Ricardo Amorin, reflete o inverso do índice de desenvolvimento humano, IDH; ou seja, onde o IDH era maior, ganhou o Alckmin e, onde o IDH era menor, ganhou o Lula.
Lula passou a imagem dupla, do forte de origem humilde que chegou ao poder, bem sucedido, e do humilde que sofre com as injustiças dos mais fortes das elites brasileiras. Isso ressonou no imaginário simbólico do povo brasileiro e, por isso, ele ficou no poder, com 20 pontos percentuais a mais.
Está, na memória do povo, a história recente da economia e sociedade brasileiras, para que as elites intelectuais, econômicas e políticas reflitam sobre esses dados e análises. Mudem suas atitudes em relação às classes C, D e E, e desses resultados, surja um Brasil melhor e mais justo para todos.
O autor, Carlos Manuel Cristóvão, é médico psiquiatra - CRM 88.611